MINDFLEX: A metodologia criada pelo jundiaiense Thales Peterson que transforma mentalidade em performance

Mais do que futebol: MINDFLEX mostra que qualquer pessoa pode evoluir 1% ao dia, em qualquer lugar do mundo.

CANAL COM Q
29/08/2025 16h38 - Atualizado há 13 horas

MINDFLEX: A metodologia criada pelo jundiaiense Thales Peterson que transforma mentalidade em performance
Acervo Thales Peterson
O psicólogo americano Carol Dweck consagrou o termo growth mindset para descrever a mentalidade de crescimento. No futebol, essa ideia ganhou corpo em iniciativas ao redor do mundo. Uma delas foi desenvolvida pelo brasileiro Thales Peterson, educador físico com mais de 22 anos de experiência, que criou a M1NDFLE% (Mindflex) — um programa de mentoria 100% online voltado ao desenvolvimento mental e emocional de atletas.
 

Do método à comunidade


Um ponto de confusão comum é imaginar que o The 1% Club seja um clube de futebol. Na verdade, o nome designa a comunidade formada por aqueles que já passaram pela MINDFLEX e incorporaram a filosofia do crescimento diário de 1%.

“A MINDFLEX é a metodologia, o processo. O The 1% Club é o reconhecimento de quem viveu essa jornada”, explica Thales Peterson.

 

Estrutura do programa

Baseado em técnicas de visualização, meditação, journaling e neurociência, o programa propõe pequenas metas diárias de evolução — 1% a cada dia.

Entre os pilares do método estão:

  • Flexibilidade mental: aprender a adaptar-se sob pressão;
  • Disciplina diária: manter consistência em práticas internas e externas;
  • Reformulação de adversidades: transformar erros em oportunidades de crescimento.

Por ser 100% online, a mentoria já conecta atletas e famílias de diferentes países, eliminando barreiras de localização.


Quem é Thales Peterson



Formado em Educação Física, mestre em Futebol e detentor da licença USSF A, Peterson treinou milhares de jogadores, da base ao profissional. Sua experiência de campo é o que dá suporte prático à metodologia.
 

“Minha missão é simples: mostrar que a mente é flexível, não fixa. E que treinar a mente, assim como o corpo, é o que diferencia o bom do extraordinário”, resume.

 

O impacto além do esporte

Embora criada inicialmente para atletas de futebol, a MINDFLEX tem atraído também pais e profissionais de outras áreas. Isso porque seus fundamentos — disciplina, foco e resiliência — são aplicáveis a desafios de vida e carreira.

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Durante nossa conversa, Thales Peterson respondeu a questões que vão além do lugar-comum:

 

Como a MINDFLEX conecta espiritualidade com performance esportiva?
O método Mindflex conecta a espiritualidade com a performance esportiva através do autoconhecimento. É você se conhecer por dentro, você conhecer os seus pensamentos, você se entender, você buscar uma evolução pessoal. 

E através de você se tornar uma melhor pessoa, você consequentemente se torna um melhor jogador, um melhor estudante, um melhor aluno, um melhor filho, um melhor tudo, uma melhor pessoa. Então você se tornando a melhor versão de você mesmo, isso é você buscar ser o melhor sempre. 

Então a espiritualidade está muito conectada com a evolução, a evolução pessoal. Então essa é a principal característica da evolução espiritual, é você sempre buscar dar o seu melhor. E a mesma coisa dentro do esporte, você sempre buscar dar o seu melhor, que é o que você sempre controla. 

Você aprender o que está no seu controle e o que não está. Você sempre dar o seu melhor está no seu controle. Agora você ganhar ou não, isso não necessariamente depende só de você. Então sempre dar o seu melhor é evoluir e evoluir é espiritualidade.


De que forma a ideia de “1% ao dia” se traduz em situações de alta pressão, como uma decisão de campeonato?
A ideia de você melhorar 1% todos os dias e você conseguir lidar com situações de alta pressão é você estar treinando, todos os dias você treina, você treina a sua mente, você treina a permanecer calmo quando as situações acontecerem, então todos os dias você busca ser a sua melhor versão, mesmo que seja um pouco, mesmo que você só consiga melhorar 1% mas você melhora, você se torna uma pessoa mais consciente para no momento da pressão você conseguir permanecer centrado e não perder o controle, 

então por isso que você treina todos os dias buscar ser a sua melhor versão para a hora da pressão, a hora do jogo, a hora que você sente que a energia mudou, que você está quase perdendo o controle, você não perde, porque eu treinei, porque eu tenho alta confiança que vem de dentro, não vem de fora, então todos os dias eu busco ser uma melhor pessoa, minha melhor versão, para quando a pressão chegar, para quando as dificuldades chegarem eu estar preparado, porque eu treinei para isso.
 

Como lidar com a ansiedade de atletas — e famílias — que buscam resultados imediatos?
Os resultados imediatos, eles são como se você curasse apenas o sintoma, mas você não cura a causa. Então você só ganhar muitas vezes máscara, problemas. Então no programa Mindflex a gente não lida com os resultados imediatos, você lida com o processo. O processo da melhora, o processo da melhora continua. Então é você saber as expectativas, é você ter as expectativas corretas para a melhora continua e não necessariamente focar no resultado. Então eu vou controlar o que eu controlo, como por exemplo eu vou controlar a minha intensidade, a minha reação aos resultados, a minha reação ao que eu posso controlar. Então eu não controlo o resultado, eu controlo o meu esforço, a minha intensidade, a minha reação ao que acontece. Não necessariamente o resultado imediato, ele mascara muitas vezes o processo, o processo é longo, o processo é contínuo. Ninguém vai se tornar um jogador de futebol profissional aos 12, 13 anos, muito menos aos 9, 10, então muito mais do que resultado imediato. Você deve buscar o amor pelo esporte, se desenvolver, gostar muito, muito do que você faz e buscar sempre a melhora.

Que exemplos você viu de talentos desperdiçados pela falta de mentalidade?
Os talentos desperdiçados pela falta de mentalidade, eles são todos os dias a gente vê isso. É a pessoa que não treinou a mentalidade para passar por dificuldades. As dificuldades vão chegar, vão. Você vai ficar no banco? 

Vai. Você vai se lesionar? Vai. Você vai perder jogos? Vai. Então, a diferença de quem chega num nível mais alto e quem não chega não são as dificuldades. A reação na dificuldade, que ela vai acontecer, ela vai acontecer. 

Isso não tem como, não tem como evitar, não só no esporte, mas como também na vida. As dificuldades vão chegar, são fases, são estações. Assim como tem primavera, verão, outono, inverno, tem dia que você vai ganhar, tem dia que você vai perder. 

Então, é você treinar para quando as dificuldades chegarem, você estar mais preparado, você entender que você precisa focar no processo e não no resultado imediato. Então, é por isso que a gente treina. 

Você treina todos os dias para o seu talento não ficar pelo caminho. Para quando você passar pela dificuldade, você estar mais apto, mais preparado.
 

O journaling se tornou central em seu método. Por quê?
O journaling se tornou o método central no meu programa, porque tudo que eu ensino no programa, eu mesmo, faço, eu mesmo, aplico na minha vida. Então você escrever, você escrever num diário, até mesmo você falar com você mesmo, você precisa organizar as suas ideias, você precisa se entender, você precisa se conhecer, para você se expressar, você precisa organizar o que está dentro da sua cabeça. 

Então quando você escreve com você mesmo, você se conhece cada vez mais por dentro. Então quando eu escrevo num diário, quando eu converso comigo mesmo, eu vou aprender, eu vou aprender quem eu sou, eu vou aprender como que a minha cabeça funciona, como que os meus pensamentos funcionam, como que as minhas emoções, o que que me fez sair um pouquinho do trilho hoje foi uma negatividade, foi alguém que falou alguma coisa, 

ou isso veio dentro de mim mesmo, eu que causei aquilo, ou foi algo que causou. Então quanto mais eu escrever, quanto mais eu me conhecer por dentro, mais eu vou me entender o porquê, principalmente nas dificuldades. 

Então você escrever num diário, você fazer essa reflexão diária, cada vez você vai se conhecendo mais por dentro.
 

Existem diferenças na resposta de jovens brasileiros e americanos ao programa?
A diferença entre os brasileiros e os americanos é que os americanos geralmente tem um autoconhecimento um pouquinho melhor nas dificuldades. O brasileiro geralmente é muito intenso, ele tem uma paixão muito grande, só que ele se deixa levar por essa paixão, então o americano tem um pouquinho mais de controle, por ele não ser tão emotivo ele aprende se conseguindo se controlar um pouquinho mais rápido. 

O brasileiro tem aquela paixão, aquele fogo de dentro, então com o brasileiro a gente tem que canalizar essa emoção para ele aprender a controlá-la e já o americano é você precisa ensinado a ter um pouquinho mais de reação às emoções. 

Então existem diferenças entre americanos e brasileiros? Sim, a diferença é cultural, a diferença também é algo que vem de família, vem da reação dos pais, vem da educação dos pais, vem a reação ao jogo, ao resultado, o brasileiro geralmente ele é muito mais focado em ganhar e perder e o americano já é um pouco mais focado no processo, até porque o futebol é usado nos Estados Unidos como um mecanismo de você conseguir estudar, conseguir ter uma educação e para o brasileiro ele é muito imediatista e ele acha que o filho dele vai se tornar jogador profissional com 9, 10 anos então ele só quer ganhar, ganhar, ganhar. O americano já não, ele já entende um pouco mais que é um processo, é um processo longo e o objetivo dele é chegar numa universidade.
 

Quais falhas estruturais você identifica nos clubes de base em relação à preparação mental?
É, infelizmente, a maioria dos clubes ainda não trabalha a performance mental como habilidades. Eles tratam como só quando alguém tem problema. Eles não fazem um tratamento preventivo. Eles fazem um tratamento, vamos dizer, como se fosse só quando tem problema. 

E não é isso. Você precisa desenvolver habilidades mentais, assim como passe, condução, cabeceiro, chute a gol, cruzamento, treinamento aeróbico, anaeróbico, salto, mudança de direção. São muitas valências físicas, técnicas e táticas que são trabalhadas, mas as valências mentais, como, por exemplo, foco, atenção, resiliência, liderança, autoconfiança, motivação, disciplina. 

Isso não é trabalhado como se fosse uma habilidade. Isso é trabalhado como se fosse algo que você deve ter, mas não você não aprendeu. Ninguém ensinou ainda, por exemplo, como que eu vou agir para ter mais resiliência. 

Como que eu vou aprender a ser um líder? Como que eu vou aprender a ter mais autoconfiança? Então, infelizmente, ainda esse trabalho não é muito difundido. E é por isso que eu criei o programa Mindflex para realmente ensinar que isso são habilidades mentais que podem e devem ser trabalhadas, porque se você não tiver o controle emocional, a inteligência emocional, não importa o quão bom as suas técnicas forem, a sua tática for, o seu físico, se você não consegue aplicar. Não adianta nada você ter uma Ferrari, se você não sabe colocar gasolina, se você não sabe abrir a porta. se você não sabe nem aonde fica o acelerador, porque a hora que você precisar usar, você não vai saber. 

Então, é a hora que a pressão chegar, se eu não tiver um controle das minhas emoções, eu não vou saber como utilizar as minhas valências técnicas, táticas e físicas. Então, o mental é a parte mais importante, e infelizmente ainda é a parte menos trabalhada. 

Então, no Mindflex, a gente busca mudar isso, trabalhar primeiro a parte mental, e depois você conseguir trabalhar as outras.
 

Você planeja expandir a MINDFLEX para outros esportes ou contextos, como o corporativo?
Sim, a ideia do Mindflex não é só apenas ficar no esporte e a ideia é ir para outros esportes com certeza, mas também trabalhar com o mundo corporativo, trabalhar com adultos, porque todo mundo passa por dificuldade, todo mundo passa por situações de desconforto. 

Isso é a vida, a vida muda, você vai ter situações favoráveis, situações desfavoráveis, então o que a gente busca ensinar é como eu vou ficar um pouco mais confortável passando pelo desconforto. Não vai ser a primeira vez que vai acontecer, eu vou treinar e eu vou treinar o autoconhecimento, o alto ajuda, eu vou me conhecer por dentro para quando eu passar por dificuldades, não vai ser a primeira vez, 

eu já vou ter treinado, eu não vou me desesperar e eu sei que tudo, tudo, tudo passa, o momento bom passa, o momento ruim passa, então tudo vai passar. Então esse conceito de você ter uma mente flexível, a flexibilidade mental é eu vou aprender a me preparar para quando eu passar por um momento um pouquinho mais difícil, um pouquinho mais desfavorável, eu não me desesperar, eu entender que isso é algo normal, é parte do processo, é parte da linha evolutiva, é parte dos planos de Deus para a minha vida, eu preciso evoluir, eu preciso melhorar e para eu melhorar eu vou passar por situações desconfortáveis, então não é eu buscar sempre estar confortável com tudo, eu aprender a passar pelo desconforto ficando confortável, isso pode ser aplicado para qualquer pessoa, em qualquer ramo, em qualquer área, então eventualmente a gente planeja sim fazer uma expansão e trabalhar com todas as pessoas que precisam se conhecer mais por dentro.

 

Serviço

Mais informações: the1club.com

Instagram: @thales_peterson


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DAVID CHRISTIAN BENEDETTI
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