Quando falamos sobre desenvolvimento nas cidades, pensamos em construção, novos edifícios, trânsito, comércio e valorização imobiliária.
Mas há uma pergunta que podemos fazer com mais frequência: Que cidade estamos construindo para a próxima geração?
Itaquera tem um caráter que poucas partes de São Paulo conseguem manter tão fortemente,uma população dinâmica, intensa transformação urbana e um patrimônio ambiental que precisa ser reconhecido como parte da própria identidade do território. O Parque do Carmo é um exemplo disso.
Em julho, mais uma etapa da revitalização do parque foi concluída com o lançamento de uma fonte flutuante no lago e a Orquestra de Repertório Experimental do Teatro Municipal. Segundo a Prefeitura, o parque tem um investimento total de R$ 93 milhões no processo de revitalização.É um feito incrível.
E talvez o verdadeiro problema seja maior.
Não basta ter grandes áreas verdes. Precisamos construir uma cidade que saiba coexistir com elas. Verde também é infraestrutura. Uma árvore também é um espaço.
Um parque, na verdade, não é apenas um lugar para passar o tempo.
Um espaço permeável não é um espaço inútil.
A natureza é a base dos serviços básicos da cidade; controla a temperatura, ajuda na infiltração da água da chuva, aumenta a biodiversidade e melhora a qualidade de vida.
E isso se torna ainda mais importante no contexto de eventos climáticos extremos que já
fazem parte da realidade das grandes cidades.
Os próprios planos de ação municipal para a região de Itaquera indicam a necessidade de expandir a arborização urbana, incluindo o plantio de árvores para resfriar as ruas, bem como planejar ações relacionadas à drenagem e coleta seletiva.
Em outras palavras: “o meio ambiente não é uma questão separada da cidade. É parte da infraestrutura da cidade.”
E a propriedade nessa história?
Aqui está um outro problema que muito poucas pessoas percebem.
Quando uma região melhora a infraestrutura, mantém suas áreas verdes, organiza seu território e proporciona qualidade de vida, isso também influenciará a relação das pessoas com suas propriedades.
Mas o desenvolvimento urbano precisa ser acompanhado de 'segurança jurídica.'
Uma propriedade irregular, uma ocupação não planejada, uma construção em área ambientalmente protegida ou uma ação realizada sem as autorizações necessárias podem levar a problemas que aparecem anos depois, como multa, reintegração, demolição, embargos, indenizações ambientais, além de criminalização por danos ambientais.
Assim, a regularização fundiária, o planejamento urbano e a proteção ambiental não devem ser considerados problemas separados.
Eles estão na mesma conversa: o futuro do território.
A cidade que queremos começa com as decisões de hoje.
Itaquera pode continuar a se transformar.
Mas a pergunta não deve ser apenas: Quanto o local vai crescer?
Talvez devêssemos perguntar: Como queremos que isso cresça?
Uma cidade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que apenas constrói mais.
É aquela que reconcilia habitação, mobilidade, patrimônio, meio ambiente, segurança jurídica, áreas verdes e qualidade de vida.
O Parque do Carmo nos lembra disso. Em uma cidade enfrentando calor, enchentes, perda de biodiversidade e ocupação desordenada, preservar e qualificar áreas verdes não é um luxo.É planejamento.
E talvez a grande sofisticação de uma cidade seja precisamente esta: Crescer sem destruir o que a torna um lugar digno de se viver.
Itaquera já está se transformando.
Então agora precisamos saber que transformação queremos deixar como legado.
Neste ponto, a responsabilidade pela transformação do bairro é compartilhada entre cidadãos e municípios.
A regularização imobiliária abre espaço para atuação do município na entrega de infraestrutura.
Enquanto a regularização ambiental dos empreendimentos e empresas, reduzem os impactos climáticos e preservam o meio ambiente.