27/05/2026 às 08h23min - Atualizada em 27/05/2026 às 08h23min

Amor também precisa de planejamento

Por Elizabeth Ventura

Família em Foco - Liz Vêntura

Família em Foco - Liz Vêntura

Drª Elisabeth Ventura - advogada especialista em Direito de Família

Imagem ilustrativa

Junho é conhecido como o mês dos namorados, período em que muitos casais celebram o amor, a parceria e os planos para o futuro. Mas, quando falamos em família, também é importante lembrar que a vida a dois não envolve apenas sentimentos: envolve direitos, deveres, patrimônio, filhos, moradia e, em alguns casos, herança.

Muitos casais vivem juntos por anos, dividem contas, compram bens, reformam a casa, criam filhos e constroem uma verdadeira vida familiar, mas nunca formalizam essa relação. No Brasil, a união estável pode ser reconhecida quando há uma convivência pública, contínua, duradoura e com intenção de constituir família. Isso significa que, mesmo sem casamento no papel, aquela relação pode gerar efeitos jurídicos importantes.

Um ponto que merece atenção é o regime de bens. Na união estável, se o casal não fizer um contrato escrito escolhendo outra forma de organização patrimonial, em regra, aplica-se o regime da comunhão parcial de bens. Em termos simples, isso quer dizer que os bens adquiridos durante a convivência podem ser considerados patrimônio comum do casal, ainda que estejam registrados apenas em nome de um deles.

Essa situação costuma gerar dúvidas e conflitos principalmente quando ocorre uma separação ou o falecimento de um dos companheiros. No caso de morte, pode ser necessário abrir inventário, reconhecer a união estável e discutir a participação do companheiro sobrevivente na herança. Atualmente, a jurisprudência reconhece que não pode haver tratamento inferior ao companheiro em relação ao cônjuge na sucessão, mas cada caso precisa ser analisado com cuidado, considerando filhos, pais vivos, regime de bens, existência de bens particulares, testamento e documentos disponíveis.

Por isso, falar sobre planejamento familiar e sucessório não é “chamar problema” nem pensar apenas na morte. Pelo contrário: é uma forma de proteger quem se ama. Formalizar a união estável, fazer contrato de convivência, organizar documentos, regularizar imóveis, conversar sobre regime de bens e, em alguns casos, elaborar testamento são atitudes que podem evitar brigas futuras e trazer segurança para toda a família.

O amor pode começar no afeto, mas também precisa de responsabilidade. Casais que constroem uma vida juntos devem pensar não apenas no presente, mas também no futuro. Afinal, cuidar da família é também deixar tudo mais claro, organizado e seguro para aqueles que caminham ao nosso lado.

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