26/08/2026 às 16h28min - Atualizada em 26/08/2026 às 16h27min

Casos de sarampo voltam a acender alerta e especialista reforça importância da vacinação

Infectologista alerta que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.

Minuto da saúde - São Cristóvão Saúde

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O Ministério da Saúde segue alertando para a vacinação contra o sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos de idade. A medida foi adotada após a confirmação de uma cadeia de transmissão do vírus relacionada à sua importação, reacendendo o alerta para a reintrodução da doença no país.

Até o momento, o Brasil confirmou 24 casos de sarampo em 2026, sendo 23 em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro. As investigações epidemiológicas seguem em andamento e, até o momento, os casos permanecem classificados como de fonte de infecção desconhecida.

O sarampo é causado por um vírus do gênero Morbillivirus e é transmitido por meio de secreções respiratórias eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas em ambientes fechados, o que explica sua elevada capacidade de transmissão.

Segundo a Dra. Michelle Zicker, infectologista do São Cristóvão Saúde, o cenário exige atenção constante, principalmente em regiões com grande circulação de pessoas.

"O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para mais de 90% das pessoas suscetíveis que estejam próximas. Embora o Brasil mantenha o status de país livre da circulação endêmica do vírus, a ocorrência de casos importados e de cadeias de transmissão mostra que o risco de reintrodução permanece, especialmente em grandes centros urbanos e regiões com intenso fluxo de pessoas que vieram de outros países", explica.

O atual surto foi identificado em uma área de intensa mobilidade populacional, com elevado fluxo de viajantes internacionais e circulação frequente de pessoas provenientes de outros países, fatores que facilitam a introdução do vírus.

Para a especialista, manter altas coberturas vacinais é essencial para impedir que casos importados provoquem transmissão sustentada.

"Mesmo quando o vírus é trazido de outro país, ele só consegue se espalhar se encontrar pessoas desprotegidas. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de ocorrência de novos surtos", destaca a especialista.

Sintomas exigem atenção

Os primeiros sintomas costumam incluir febre alta (acima de 38,5°), tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar intenso. Após alguns dias, surgem manchas avermelhadas na pele (exantema), inicialmente no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se posteriormente para o restante do corpo.

Complicações podem ser graves

Embora muitas pessoas se recuperem sem sequelas, o sarampo pode causar complicações importantes, principalmente em crianças menores de cinco anos, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade. Entre as principais complicações estão: pneumonia, otite, diarreia, encefalite e óbito.

Também existe uma complicação rara e bastante grave, conhecida como Panencefalite Esclerosante Subaguda (PEES), doença neurológica que pode surgir anos após a infecção.

Segundo a Dra. Michelle Zicker, ainda não há medicamento capaz de eliminar o vírus do sarampo. O tratamento é voltado para aliviar os sintomas e prevenir complicações, com hidratação, controle da febre, suporte clínico e, em alguns casos, suplementação de vitamina A.

"Como não existe tratamento específico, a prevenção continua sendo nossa principal ferramenta. A vacinação é segura, eficaz e impede tanto o adoecimento quanto a circulação do vírus", afirma.

Quem deve se vacinar

No Brasil, a proteção é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio das vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). A dupla viral (sarampo e rubéola) pode ser ofertada para bloqueio vacinal e situações de surto.

As recomendações incluem:

  • Crianças de 12 meses: devem receber a primeira dose da tríplice viral e, aos 15 meses, a segunda dose com a vacina tetraviral ou tríplice viral, conforme o calendário vigente;

  • Pessoas de 7 a 29 anos: devem ter duas doses registradas;

  • Adultos de 30 a 59 anos: devem ter pelo menos uma dose documentada;

  • Profissionais de saúde: devem comprovar duas doses, independentemente da idade.

Além das doses de rotina estabelecidas no Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação para o sarampo pode ser indicada para crianças de seis meses a menores de um ano em localidades com surto da doença. Pessoas imunocomprometidas devem ser avaliadas individualmente pelo médico antes da imunização.

A infectologista reforça que, diante da confirmação de novos casos no estado de São Paulo, é fundamental que a população verifique a caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde caso exista dúvida sobre o esquema vacinal.

"O sarampo é uma doença de fácil prevenção, tendo a vacina como a forma mais eficiente de proteger não apenas o indivíduo, mas toda a comunidade, evitando que o vírus volte a circular de maneira sustentada no país", conclui.

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