25/07/2026 às 15h07min - Atualizada em 25/07/2026 às 15h06min

Dia dos Pais após a separação: O filho não deve ser colocado no meio do conflito

Por Elizabeth Vêntura

Família em Foco - Liz Vêntura

Família em Foco - Liz Vêntura

Drª Elisabeth Ventura - advogada especialista em Direito de Família

O mês de agosto é marcado pela comemoração do Dia dos Pais. Para muitas famílias, a data representa carinho, presença e construção de boas lembranças. Entretanto, quando os pais estão separados e ainda existem conflitos entre eles, a comemoração pode se transformar em motivo de discussão, especialmente quando não há diálogo sobre horários, viagens, presentes e períodos de convivência.

É importante compreender que a convivência entre pais e filhos não deve ser tratada como prêmio para o adulto que se comportou bem, nem como punição contra aquele que desagradou o outro genitor. Trata-se, antes de tudo, de um direito da criança e do adolescente, assegurado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Por essa razão, datas comemorativas devem ser organizadas com responsabilidade. Quando existe uma decisão judicial ou um acordo estabelecendo com quem o filho permanecerá no Dia dos Pais, no Dia das Mães, nos aniversários, nas férias e nas festas de final de ano, o que foi determinado deve ser respeitado.
Mesmo quando ainda não há uma regulamentação judicial, espera-se que os responsáveis ajam com bom senso, buscando uma solução que preserve o vínculo da criança com ambos os lados da família. O filho não deve ser utilizado para transmitir recados, cobrar valores, provocar o outro genitor ou tomar partido em discussões que pertencem exclusivamente aos adultos.

Também não é adequado perguntar à criança, de forma insistente, com quem ela prefere ficar. Embora sua opinião deva ser ouvida de acordo com sua idade e maturidade, ela não pode receber o peso de escolher entre o pai e a mãe. Essa responsabilidade pertence aos adultos e, quando não há acordo, ao Poder Judiciário.
A guarda compartilhada não significa necessariamente que o filho passará metade do tempo na residência de cada genitor. Ela está relacionada à participação conjunta nas decisões importantes sobre saúde, educação, rotina e desenvolvimento. Quando ambos estão aptos ao exercício do poder familiar, a guarda compartilhada é a regra prevista na legislação brasileira, ainda que a residência principal da criança permaneça com apenas um deles.

O responsável que está com a criança também deve colaborar para que a convivência aconteça de maneira tranquila. Isso inclui preparar roupas, documentos, medicamentos e materiais necessários, informar compromissos importantes e evitar comentários negativos sobre o outro genitor na presença do filho.
Da mesma forma, aquele que exercerá a convivência deve respeitar os horários de retirada e devolução, manter os cuidados necessários, cumprir a rotina da criança e preservar sua segurança física e emocional. Ser pai não se resume a buscar o filho em datas especiais. A paternidade é construída com presença, responsabilidade, respeito e participação cotidiana.

Existem situações graves, como suspeitas de violência, abuso, negligência, dependência química ou risco à integridade da criança. Nesses casos, a convivência não deve ser impedida de maneira arbitrária, mas a situação precisa ser levada imediatamente ao conhecimento das autoridades competentes, para que sejam adotadas medidas de proteção, inclusive acompanhamento ou visitação assistida, quando necessário. A legislação admite a adoção de cautelas quando houver risco à integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente.

Neste Dia dos Pais, mais importante do que presentes ou comemorações grandiosas é oferecer às crianças a segurança de saber que são amadas e que não precisam escolher um lado. Pais separados continuam sendo responsáveis pela mesma infância.

Quando os adultos conseguem colocar as diferenças de lado e priorizar o bem-estar dos filhos, as datas comemorativas deixam de ser motivo de disputa e passam a cumprir sua verdadeira finalidade: fortalecer vínculos, criar boas lembranças e proporcionar afeto.

O relacionamento entre o casal pode terminar, mas a responsabilidade de ser pai e mãe permanece.

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