O Brasil tem avançado na cobertura vacinal infantil. Em 2024, mais de 2.400 municípios atingiram a meta de imunização para a segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O número representa um aumento de mais de 180% em relação a 2022, segundo dados do Ministério da Saúde. A Vacina Oral Poliomielite (VOP) também registrou melhora expressiva, com quase o dobro de cidades alcançando o índice ideal.
Apesar do foco frequente das campanhas nas crianças, a imunização na vida adulta e na terceira idade é igualmente essencial para evitar o retorno de doenças já controladas e proteger populações mais vulneráveis.
“É um mito acreditar que vacinar é importante apenas na infância”, explica a infectologista do São Cristóvão Saúde, Dra. Michelle Zicker. “É fundamental manter a caderneta de vacinação atualizada em todas as idades. Muitas vacinas são aplicadas nos primeiros anos de vida, mas a proteção precisa ser reforçada ao longo da vida”, destaca.
Segundo a especialista, a recomendação vacinal é individualizada e considera o histórico de cada pessoa, a idade e as condições clínicas. Entre 20 e 59 anos, podem ser indicadas vacinas como tríplice viral, hepatite A e B, HPV, tétano, difteria e coqueluche (dTpa), varicela, influenza, febre amarela, meningocócica, pneumocócica, herpes zoster, vírus sincicial respiratório (VSR), COVID-19 e dengue.
A partir dos 60 anos, a lista inclui principalmente vacinas contra influenza, pneumococo, herpes zoster, hepatite B, tétano, difteria e coqueluche, COVID-19, VSR e febre amarela. Em situações especiais, também podem ser recomendadas as vacinas tríplice viral, meningocócica conjugada (ACWY ou C) e hepatite A.
Proteção coletiva e prevenção de surtos
A vacinação em massa não protege apenas quem recebe a dose. “Quando uma parte significativa da população está imunizada, ocorre o que chamamos de imunidade de rebanho, com a interrupção da transmissão do vírus, beneficiando também quem não pode ser vacinado, como pessoas com doenças crônicas ou recém-nascidos”, explica Zicker.
O Ministério da Saúde mantém calendários vacinais específicos para adultos (20 a 59 anos) e idosos (60+). A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) também publica suas recomendações, com pequenas variações.
Para a infectologista, combater a desinformação sobre vacinas é um desafio constante. “As vacinas são seguras e passam por rigorosos controles de qualidade. Elas estão entre os maiores avanços da saúde pública, responsáveis pela erradicação da varíola, da rubéola e da poliomielite”, afirma.
Dra. Michelle reforça ainda que, em caso de dúvidas, o ideal é buscar fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde e a SBIm. “Manter a caderneta em dia é um gesto de responsabilidade individual e coletiva, que salva vidas”, conclui.