Casa Florescer atinge marca de 17% de saídas qualificadas para mulheres trans em SP

Com quase 1.700 atendimentos desde 2016, serviço municipal promove inserção no mercado de trabalho e retificação de documentos para travestis e transexuais.

Redação - Itaquera em Notícias
27/01/2026 15h32 - Atualizado há 1 mês

Casa Florescer atinge marca de 17% de saídas qualificadas para mulheres trans em SP
Imagem: Divulgação / SMADS - Prefeitura de SP

A Casa Florescer, Centro de Acolhimento Especial (CAE) da Prefeitura de São Paulo voltado a mulheres trans e travestis, consolidou-se como referência na promoção da autonomia desde sua criação em 2016. Com unidades no Bom Retiro e na Zona Norte, o serviço já realizou 1.684 atendimentos, resultando em 286 saídas qualificadas (17% do total) e na inserção de 137 mulheres no mercado de trabalho formal. Gerido pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) em parceria com a OSC CROPH, o local oferece moradia, alimentação e acompanhamento psicossocial para até 30 acolhidas por unidade.

A metodologia do serviço foca no Plano Individual de Atendimento (PIA), que busca reverter ciclos de exclusão escolar, familiar e profissional. Os indicadores de impacto revelam que 95% das acolhidas aderiram à rede de saúde, 80% regularizaram documentos básicos e 70% retornaram à educação formal. Além disso, 45% das usuárias realizaram a retificação de nome e gênero. A equipe multidisciplinar, composta por psicólogos e assistentes sociais, atua na reconstrução de vínculos e no fortalecimento da identidade das mulheres, muitas vindas das regiões Norte e Nordeste em busca de segurança na capital.

A infraestrutura das unidades inclui dormitórios coletivos, salas de convivência, lavanderia e quadra poliesportiva, garantindo um ambiente digno para o desenvolvimento pessoal. Para a psicóloga Patricia Assis, o serviço é essencial para restaurar o pertencimento a grupos sociais, algo frequentemente negado por trajetórias de violência e discriminação. O acolhimento especializado integra a maior rede de apoio LGBT+ do país, que conta também com a Casa de Acolhida Casarão Brasil, na Zona Sul, posicionando São Paulo como um polo internacional de políticas públicas de diversidade e inclusão.

Relatos de beneficiárias, como Jamilly Piton, de 34 anos, reforçam o caráter transformador do projeto. Prestes a concluir sua saída qualificada para moradia autônoma após dois anos de permanência, ela define a experiência como um processo de "reflorescimento". O sucesso da Casa Florescer é atribuído à articulação com empresas e organizações da sociedade civil, que ampliam as frentes de qualificação profissional, permitindo que as acolhidas planejem trajetórias de vida independentes após o período de vulnerabilidade nas ruas.


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