Como o bullying e o cyberbullying impactam a vida das crianças e adolescentes

Psicóloga cognitivo-comportamental e neuropsicopedagoga comentam a série Adolescência no mundo real e as maneiras de evitar tragédias

AS
04/04/2025 11h41 - Atualizado há 19 horas

Como o bullying e o cyberbullying impactam a vida das crianças e adolescentes
Comunicação Karine Brock e Claudia Villela
A minissérie Adolescência, que estreou esse ano na Netflix, criada por Jack Thorne e Stephen Graham, conta como a vida de uma família vira de cabeça para baixo após o filho de apenas 13 anos esfaquear uma colega de escola. Não se trata de spoiler, a série tem início com esse fato e nos faz o tempo todo, em seus quatro capítulos, buscar o porquê do crime.
A verdade é que por traz da história da família, há a história da escola, do bullying e do cyberbullying e de como estes afetam crianças e adolescentes de maneiras diferentes. A psicóloga cognitivo-comportamental, Karine Brock, considera que a maior exposição dos adolescentes à internet e às suas diversas redes sociais, jogos e aplicativos podem incidir diretamente no aumento de casos de bullying e cyberbulling. Tendo em vista que cada vez mais cedo esses adolescentes estão na rede, mais cedo sofrem com divulgação de fotos, deboches, comentários e isto até mesmo de desconhecidos. “É um ambiente virtual anônimo que facilita a agressividade, levando a um impacto psicológico muito grande, sobretudo porque ultrapassa os limites das paredes da escola, por exemplo. No cyberbullyng, a exposição é constante e um adolescente na internet sem a proteção dos pais pode sofrer graves conseqüências em sua autoestima e comportamento social”, destaca.
A neuropsicopedagoga, Claudia Villela, conta que é bem perceptível, em seus atendimentos, quando um adolescente está passando por isso. Há um momento de escuta e, foras dele, é necessário sempre ter atenção, segundo ela, ao comportamento, durante as atividades, seja ela uma atividade lúdica ou uma leitura. “Muitas vezes, a fala muda, às vezes o gestual muda, ele fica mais introspectivo, ou mais agitado, querendo falar mais, querendo demonstrar que está acontecendo alguma coisa errada. E daí, a gente parte para esse trabalho focado na situação”, explica.

De acordo com Karine, a relação entre as ações de bullying e o suicídio vem crescendo de maneira alarmante, sobretudo nesses casos digitais em que há o apoio de muitas pessoas, trazendo uma humilhação e isolamento maior. Existe uma distorção do valor próprio e uma falta de saída para a vergonha da exposição, que, para ela, podem resultar também na agressividade contra os demais, como o relatado na série e em diversas situações já noticiadas em escolas, pelo desejo de vingança, para reverter a sensação de impotência.
Para Cláudia, o papel da escola é muito importante nesse processo e algumas ações podem ser efetuadas a fim de salvar vidas como: estabelecer uma política de tolerância zero ao bullying, envolvendo toda a comunidade escolar; investir na capacitação de professores e funcionários para que possam identificar sinais de bullying e intervir de forma eficaz; incentivar a empatia e o trabalho em equipe e estimular lideranças positivas entre os alunos; apoiar a participação destes em atividades extracurriculares, a fim de que se sintam integrados; manter uma caixa de sugestão para os alunos denunciarem o bullying anonimamente, trazendo segurança; integrar programas de educação socioemocional ao currículo; entre outras. ”Para mim, o papel da escola para prevenir e evitar o bullying e o cyberbullying é a conversa, o diálogo, trabalhando com os alunos em projetos que reflitam que a gentileza vai gerar gentileza, a importância da amizade, de entender o outro, de respeitar as diferenças, acho que é esse o caminho. Além de muita observação sempre”, aconselha ela, que concorda com Karine sobre as graves conseqüências do bullying e do ciberbullying e sobre ser sim possível que um adolescente a eles exposto tire a própria vida ou a de outrem, como na série. “O bullying é um problema de saúde pública, que pode ter consequências devastadoras e irreversíveis para a vítima e sua família. O mundo virtual é um contexto que instiga a criança ou adolescente a utilizar de meios que não estamos acostumados a utilizar na convivência do dia a dia”, completa Claudia Villela.
Concluindo a questão, Karine Brock ressalta a importância dos pais nessa jornada contra a influência maligna das telas e do mundo virtual na vida das crianças e dos adolescentes. Estar presente, mesmo com a falta de tempo atual, é crucial. Para ela, a qualidade do tempo é mais importante que a quantidade, por isso um jantar, a prática de um esporte, assistir a algo juntos, sem celular, computador e, acima de tudo, ouvirem, estarem atentos, observarem e estabelecerem limites de tempo e de tipos de acessos, sempre explicando e conduzindo para a confiança. “Tudo isso faz
diferença na prevenção. Perceber mudanças no seu filho, como isolamento, alterações de humor e comportamento, exposição excessiva às telas e a fuga de conversas, entre outras coisas, pode salvar a infância e a adolescência de sérios danos psicológicos e até de tragédias inesperadas”, conclui a psicóloga.

 

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AMANDA MARIA SILVEIRA
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