A presença das mulheres na política brasileira não é fruto de concessão, mas de luta. Durante séculos, elas foram excluídas dos espaços de decisão, privadas do direito básico de votar e de serem votadas. Foi apenas em 1932, com o Código Eleitoral instituído no governo de Getúlio Vargas, que as mulheres conquistaram oficialmente o direito ao voto no Brasil. A Constituição de 1934 consolidou esse direito, embora inicialmente ele ainda estivesse condicionado a critérios como renda e estado civil. O sufrágio feminino pleno e sem restrições só se tornou realidade anos depois.
Essa conquista não aconteceu de forma espontânea. Foi resultado da mobilização de mulheres que desafiaram a lógica da época, como Bertha Lutz e tantas outras lideranças que organizaram movimentos, pressionaram o Estado e enfrentaram resistência social para garantir participação política. O voto feminino foi um marco civilizatório, mas não significou, automaticamente, igualdade de representação.
Décadas se passaram e o cenário ainda revela desigualdade. As mulheres são maioria da população brasileira e também do eleitorado — mais de 50% das pessoas aptas a votar são mulheres. No entanto, quando observamos os cargos de poder, a discrepância é evidente. Na Câmara dos Deputados, elas ocupam pouco mais de 15% das cadeiras. No Senado Federal, o percentual também é inferior a 20%. Em governos estaduais e prefeituras, a presença feminina continua sendo exceção, não regra.
O Brasil permanece atrás de muitos países no ranking mundial de participação feminina no Parlamento. Mesmo com a implementação de cotas partidárias e regras de financiamento destinadas às candidaturas femininas, os avanços ocorrem de forma lenta. A política ainda é um espaço marcado por barreiras estruturais: menor acesso a recursos, menos apoio partidário efetivo, dupla jornada de trabalho e a violência política contra à mulher, que tenta silenciar e deslegitimar mulheres que ousam ocupar posições de liderança.
A história mostra que cada direito conquistado exigiu mobilização, coragem e enfrentamento. E o direito ao voto foi apenas o primeiro passo. Representatividade não é um detalhe simbólico, ela influencia prioridades, orçamentos e decisões que impactam diretamente a vida das pessoas.
Ampliar a presença das mulheres na política é fortalecer a democracia. Uma democracia madura precisa refletir a diversidade da sua população nos espaços onde as decisões são tomadas.
Eu sou Aline Teixeira e acredito que honrar a história das mulheres que lutaram pelo voto é garantir que hoje possamos avançar na ocupação real e efetiva dos espaços de poder. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.