Mesmo durante a internação, crianças e adolescentes atendidos no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na Bela Vista, continuam estudando por meio de uma classe hospitalar. Implantada em 2022, a iniciativa da Prefeitura de São Paulo permite dar continuidade à aprendizagem e ajuda os alunos a preservar o vínculo com a escola enquanto recebem tratamento médico.
O projeto faz parte do Programa Pedagógico Hospitalar, desenvolvido em parceria pelas secretarias municipais de Educação e Saúde. O trabalho, que começou com uma professora, conta atualmente com quatro profissionais, responsáveis por atividades nos períodos da manhã e da tarde. Os alunos participam das aulas em uma sala dentro do hospital, após avaliação da equipe de saúde. Quando não podem deixar o leito, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebem o atendimento pedagógico no próprio quarto.
As atividades incluem alfabetização, matemática, produção de textos, música, artes, histórias e brincadeiras. Neste semestre, os conteúdos abordam diversidade cultural, saberes populares, brincadeiras tradicionais e povos originários. As professoras também mantêm contato com as escolas de origem para aproximar o conteúdo trabalhado no hospital do que os estudantes aprenderiam com suas turmas, contribuindo para o retorno às aulas após a alta.
A experiência faz diferença na rotina dos pacientes e de suas famílias. Davi Fonseca Palma, de 8 anos, participou de uma atividade sobre povos indígenas e confeccionou uma peteca enquanto recebia tratamento para artrite séptica. Já Dandara de Souza, de 7 anos, em tratamento de doença falciforme e na fase de alfabetização, demonstrou entusiasmo ao saber que poderia frequentar as aulas. Samuel, de 6 anos, também participou das atividades, desta vez na sala, depois de ter recebido as professoras no leito em internações anteriores.
Para os familiares, a iniciativa ajuda a tornar o período no hospital menos ocioso e mantém a rotina de aprendizagem. Mariana Bernardes, mãe de Davi, destacou a importância de o filho continuar aprendendo e conhecendo pessoas durante o tratamento. Maria Helena de Souza da Silva, mãe de Dandara, ressaltou que o contato com livros e atividades escolares é especialmente importante para a filha, que está aprendendo a ler. As professoras também relatam que o trabalho tem impacto pessoal e profissional, ao permitir que os estudantes continuem se reconhecendo como alunos, mesmo longe da escola.