A capital paulista mantém uma rede de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento infantil, com iniciativas que abrangem educação, saúde, alimentação, cultura, esporte, lazer e proteção social. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o município tem mais de 869 mil crianças de até seis anos, fase considerada essencial para o desenvolvimento humano. As ações municipais são orientadas pelo Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) 2018-2030, que recebeu, em março de 2026, um Plano de Ação para o período de 2025 a 2028. Para o secretário executivo de Projetos Estratégicos, Edsom Ortega, a integração entre as diferentes áreas da administração é fundamental para garantir o desenvolvimento integral das crianças.
Na educação, a cidade completa em 2026 o sexto ano consecutivo sem fila por vagas em creches. Mais de 289 mil bebês e crianças de até três anos frequentam Centros de Educação Infantil (CEIs), com atendimento integral e cinco refeições diárias. O Programa de Alimentação Escolar fornece mais de 2 milhões de refeições por dia a mais de 1 milhão de estudantes, enquanto 25.712 alunos receberam alimentação personalizada em 2026, aumento de 39% em relação a 2024. A rede também oferece transporte escolar gratuito, auxílio para materiais e uniformes, atividades do Escola Aberta SP e educação em período ampliado pelo São Paulo Integral, presente em 775 unidades.
Na saúde, o atendimento começa com o Teste do Pezinho, que pode identificar até 50 doenças, conforme a testagem. Foram realizados 80.807 procedimentos de triagem neonatal em 2025 e outros 53.685 até agosto de 2026. As Unidades Básicas de Saúde acompanham vacinação, crescimento e desenvolvimento infantil, enquanto o Programa Saúde na Escola promove ações educativas, prevenção, avaliação da situação vacinal e cuidados com a saúde bucal. O programa alcançou mais de 4 milhões de atendimentos educativos em 2025 e 1,9 milhão até agosto de 2026. Na saúde visual, o Avança Saúde Escolar realizou 163.284 atendimentos em 2025 e distribuiu 31.051 óculos. Desde novembro de 2023, a iniciativa acumula mais de 300 mil atendimentos gerais, cerca de 82 mil consultas oftalmológicas e mais de 70 mil óculos entregues gratuitamente.
Fora das salas de aula e das unidades de saúde, os equipamentos públicos oferecem oportunidades de convivência e desenvolvimento. Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) reúnem piscinas, quadras, bibliotecas, teatros, cinemas e atividades culturais. O Programa de Iniciação Artística (PIÁ) disponibiliza, em 2026, 4.900 vagas para crianças de 6 a 13 anos, distribuídas em 245 turmas e 115 equipamentos. As bibliotecas Hans Christian Andersen, Paulo Duarte e Clarice Lispector receberam espaços destinados à primeira infância, com livros, brinquedos, mobiliário apropriado e atividades para famílias. Já os 46 Centros Esportivos municipais oferecem práticas esportivas e de lazer gratuitas, enquanto o Recreio nas Férias promove passeios e atividades culturais, esportivas e recreativas, com alimentação, em mais de 130 polos. A segurança também integra as políticas para a infância: a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) organiza operações no entorno das escolas e desenvolve a Mini Cidade, que simula o trânsito em escala reduzida para ensinar regras de circulação. A SPTrans, por sua vez, mantém a ação Andar de Ônibus em SP, voltada a estudantes de 8 a 11 anos, com orientações sobre o transporte coletivo e deslocamentos seguros.
A proteção social complementa essa rede, especialmente para crianças expostas à vulnerabilidade, à fragilidade dos vínculos familiares ou à violação de direitos. Os Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs) atendem principalmente o público de 6 a 14 anos no contraturno escolar, com atividades culturais, esportivas e de convivência. Nos casos em que é necessário o afastamento do convívio familiar por medida de proteção, o Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAICA) oferece acolhimento provisório e excepcional. Outra alternativa é o Serviço Família Acolhedora, que encaminha crianças e adolescentes temporariamente para famílias cadastradas, capacitadas e acompanhadas pela rede municipal.
O conjunto de iniciativas busca acompanhar diferentes etapas da infância e ampliar as oportunidades de desenvolvimento, aprendizagem, saúde e convivência. A proposta, conforme a diretriz municipal para a primeira infância, depende da atuação integrada das políticas públicas e de ações adaptadas às condições sociais, econômicas e territoriais da população paulistana.