Mais de 2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem atualmente na cidade de São Paulo, o equivalente a 17,8% da população. Pela primeira vez, esse grupo supera numericamente os moradores com menos de 15 anos, que representam 17,1%. Para atender essa população, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mantém uma rede integrada que reúne diferentes serviços de acompanhamento, prevenção e assistência.
Um dos pontos de partida desse atendimento é a Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa na Atenção Básica (AMPI-AB), realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O instrumento identifica situações como risco de quedas, doenças crônicas e demências e permite classificar os pacientes como saudáveis, pré-frágeis ou frágeis. Entre 2021 e 2025, o número de avaliações passou de 153.261 para 2.609.071, crescimento superior a 1.600%.
A partir dos resultados, as equipes definem o acompanhamento de cada paciente. Os idosos saudáveis e pré-frágeis, que correspondem a cerca de 90% dos pacientes da rede municipal, são acompanhados nas próprias UBSs pelo Programa Nossos Idosos, responsável por mais de 5,1 milhões de atendimentos entre 2021 e o primeiro semestre de 2026. Já os casos de maior fragilidade podem ser encaminhados para uma das 14 Unidades de Referência à Saúde do Idoso (Ursis), que ampliaram de 109.874 para 215.992 o número de pacientes atendidos entre 2021 e 2025.
Quando há necessidade de acompanhamento domiciliar, entra em atuação o Programa de Acompanhante de Idosos (PAI). Atualmente, são 71 equipes multiprofissionais que fazem visitas periódicas, principalmente a pessoas que vivem sozinhas ou possuem pouco suporte familiar ou comunitário. O número de idosos monitorados mensalmente passou de 6 mil, em 2021, para 8,4 mil, em 2025, aumento de 40%. A rede também pode integrar serviços como Caps, CERs, Ceccos, Melhor em Casa, ambulatórios, hospitais e UPAs.
A experiência da aposentada Marinalda Dantas da Silva, de 73 anos, conhecida como Morena, mostra um dos efeitos desse acompanhamento. Após deixar o Rio de Janeiro para morar com os irmãos em São Paulo, ela passou a receber visitas do PAI da UBS Vila Sônia. Com o acompanhamento, começou a participar de grupos, visitar parques e museus, fazer novas amizades e retomar o desejo de aprender a ler e escrever. Para a SMS, a integração desses serviços faz parte da política municipal voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças e manutenção da capacidade funcional da população idosa.