A rede municipal de saúde de São Paulo registrou um crescimento de 1.490% na realização de procedimentos em cuidados paliativos entre 2020 e 2025. O avanço é atribuído à implementação da Diretriz Técnica de Cuidados Paliativos e à estruturação do Programa Melhor em Casa, que atualmente acompanha cerca de 3 mil pacientes em regime domiciliar. A estratégia foca na assistência integral a pessoas com doenças graves e incuráveis, visando o alívio do sofrimento físico, psicológico e social.
O atendimento é executado por 63 Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (Emads) e 20 equipes de apoio (Emaps), que reúnem médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos. O fluxo de cuidado é estabelecido a partir das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que identificam pacientes elegíveis para a modalidade. O modelo prioriza o respeito à autonomia e aos desejos do indivíduo, permitindo que o tratamento ocorra no ambiente doméstico.
Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que o número de procedimentos saltou de 965 em 2020 para 15.378 em 2025. Segundo a diretoria da área, o aumento da demanda está relacionado ao envelhecimento populacional e à maior incidência de doenças crônicas e degenerativas, como a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A organização da rede permitiu a identificação precoce de casos e a qualificação dos fluxos de atendimento na Atenção Primária.
Além do suporte técnico ao paciente, o programa oferece orientação e apoio aos cuidadores familiares. As equipes trabalham no manejo de sintomas e na humanização do processo de terminalidade, estendendo o acolhimento até o período de luto. O fortalecimento desta linha de cuidado busca integrar a assistência técnica à preservação da dignidade e qualidade de vida das famílias em situações de vulnerabilidade clínica.