O que mudou na contracepção para adolescentes?
Único LARC com aprovação em bula para adolescentes, implante subdérmico reflete nova abordagem da medicina
FLAVIA FLORES | MASSMEDIA
03/02/2026 17h15 - Atualizado há 1 mês
Divulgação
No Brasil, um a cada sete bebês brasileiros nasce de mãe adolescente, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS). Por dia, 1.043 adolescentes se tornam mães no Brasil, o que significa que, a cada hora, 44 bebês nascem de mães adolescentes. Diante desse cenário, a medicina tem mudado sua abordagem e passado a recomendar os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs) como opção de primeira linha para adolescentes. Essa mudança de orientação reflete o avanço das evidências científicas e a revisão de diretrizes clínicas no Brasil e no mundo. Métodos como o implante subdérmico de etonogestrel e os dispositivos intrauterinos passaram a ocupar posição de destaque por aliarem alta eficácia, segurança e independência do uso correto, características especialmente relevantes na adolescência. Para o médico Dr. Edson Ferreira, da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que falou a convite da Organon durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a ampliação do uso dos LARCs pode ter impacto direto na redução dessas taxas. “Houve uma mudança de paradigma. Hoje, sociedades científicas nacionais e internacionais reforçam que idade ou nuliparidade não são contraindicações ao uso de LARCs, que são os métodos com maior efetividade contraceptiva”, afirma. Um ponto central dessa nova abordagem é o fato de o implante hormonal ser atualmente o único LARC com aprovação em bula para adolescentes. Segundo Ferreira, esse respaldo regulatório é relevante para a prática clínica. “Adolescentes são um grupo mais sensível do ponto de vista ético-legal. A aprovação em bula traz segurança jurídica e regulatória para médicos, famílias e serviços de saúde, além de facilitar a incorporação do método em protocolos institucionais e políticas públicas”, explica. Apesar dos avanços, o especialista reconhece que ainda existe resistência ao uso de métodos contraceptivos de longa duração nessa faixa etária. Mitos relacionados à infertilidade futura, receio de efeitos colaterais e a ideia equivocada de que oferecer contracepção estimularia a atividade sexual seguem presentes. “Essas barreiras vêm diminuindo à medida que mais informação baseada em evidências circula e que os profissionais de saúde se sentem mais capacitados. A ciência mostra que oferecer contracepção protege a saúde reprodutiva e não incentiva comportamentos”, destaca. Do ponto de vista médico, os LARCs apresentam vantagens importantes em relação aos métodos de curta duração, especialmente entre adolescentes. “O principal diferencial é a eficácia independente do uso correto. Métodos que dependem de adesão diária, semanal ou mensal têm taxas de falha muito maiores. Já os LARCs são altamente eficazes, reversíveis e permitem que a adolescente foque em outras dimensões da vida, sem a preocupação constante com uma gravidez não planejada”, afirma Ferreira. A ampliação do acesso ao implante hormonal pode gerar impactos que vão além da saúde reprodutiva. “A gravidez não planejada na adolescência é um fator importante de evasão escolar e de perpetuação da vulnerabilidade social. Ao garantir autonomia sobre a vida reprodutiva, aumentamos as chances de continuidade dos estudos, melhor inserção no mercado de trabalho e ascensão social no futuro”, diz o médico. Ferreira reforça que o aconselhamento deve ser sempre individualizado, acolhedor e livre de julgamentos. “O LARC não é para todas as pessoas, mas precisa ser uma opção real e acessível. Garantir informação clara e acesso equitativo aos métodos é um compromisso com a saúde e os direitos das adolescentes”, finaliza. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
FLAVIA FLORES ROCHA
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