São Paulo amplia rede de saúde mental e registra mais de 225 mil atendimentos para ansiedade e depressão

Com 104 Caps em operação, capital reforça atendimento humanizado e grupos de socialização para jovens após aumento de casos em 2025.

Redação - Itaquera em Notícias
31/01/2026 08h40 - Atualizado há 1 mês

São Paulo amplia rede de saúde mental e registra mais de 225 mil atendimentos para ansiedade e depressão
Imagem: Divulgação / SMS - Prefeitura de SP

A rede municipal de saúde de São Paulo consolidou, nos últimos anos, uma estrutura robusta para o tratamento de transtornos mentais, tendo as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) como portas de entrada. Desde 2021, a cidade recebeu 13 novas UBSs e 21 novos Caps, totalizando 481 e 104 unidades, respectivamente. Esse investimento reflete uma demanda crescente: entre janeiro e novembro de 2025, a ansiedade e a depressão responderam por 225.494 atendimentos, cerca de 25% do total de casos de saúde mental na capital.

Os dados locais acompanham a tendência global apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que identifica esses transtornos como os mais comuns do mundo. Para a Dra. Cláudia Ruggiero Longhi, diretora de saúde mental da Secretaria Municipal da Saúde, o cenário exige atenção constante. “Dos atendimentos para saúde mental, a maior prevalência é para a ansiedade e a depressão, o que está relacionado, entre outros fatores, à mudança dos nossos hábitos de vida”, analisa a psiquiatra.

O tratamento nos Caps aposta em equipes multidisciplinares e projetos terapêuticos individuais. Luciana Ramos Domingues, de 42 anos, que trata depressão e ansiedade no Caps Adulto III Jardim São Luiz, relata a importância desse suporte: “Antes eu estava no escuro e agora estou no claro. Eu não tinha ninguém para me ajudar nem para conversar. Hoje posso contar com essa rede de apoio”. Além da terapia tradicional, Luciana participa de oficinas de artesanato que estimulam o foco e o empreendedorismo.

A rede também dedica atenção especial ao público infantojuvenil, com 34 unidades especializadas. No Caps IJ III Aricanduva, o foco recai sobre adolescentes que enfrentam dificuldades de socialização acentuadas pelo período de isolamento da pandemia. Cleber Henrique de Melo, gerente da unidade, explica que a convivência presencial é vital: “A terapêutica em grupo é uma oportunidade de estimular a convivência... estamos colhendo os efeitos da pandemia, quando eles ficaram isolados”.

Para os jovens, o acolhimento livre de julgamentos é o diferencial. A adolescente C.L., de 15 anos, destaca o valor das trocas semanais e dos passeios culturais a museus e parques: “As pessoas acolhem e não julgam porque todos estão passando por situações parecidas”. Essas atividades externas, sugeridas pelos próprios jovens, ajudam a reconstruir habilidades sociais em ambientes como a Bienal de São Paulo e o MASP.

O sucesso do tratamento, no entanto, depende de um suporte que ultrapassa os muros das unidades. “É importante que os pais participem desse processo de cuidado e apoio. Geralmente, o sofrimento não é individual”, ressalta Cleber de Melo. A rede municipal oferece grupos de apoio para famílias, entendendo que a dinâmica doméstica é parte fundamental da recuperação e do bem-estar dos pacientes em todas as faixas etárias.


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