A cidade de São Paulo registrou uma redução de 32% nos casos de hanseníase nos últimos 10 anos, mantendo-se abaixo da meta de controle da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2010. Dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mostram que os novos diagnósticos caíram de 311 casos em 2007 para 100 em 2025. A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta pele e nervos, mas possui cura e tratamento gratuito na rede pública.
O tratamento é realizado por via oral e, assim que iniciado, o paciente deixa de transmitir a doença, não sendo necessária a internação. Atualmente, a capital conta com 31 Unidades de Referência de Hanseníase (URHs), que oferecem suporte multiprofissional e grupos de autocuidado. Além do acompanhamento médico durante a medicação, a rede municipal monitora pacientes após a alta para tratar possíveis complicações e incapacidades físicas decorrentes do diagnóstico tardio.
A estratégia de controle na capital baseia-se na descentralização da vigilância e na investigação de contatos domiciliares dos últimos cinco anos. Esse trabalho permite identificar focos de transmissão mesmo em diferentes bairros ou estados, interrompendo a cadeia de contágio. A gestão municipal investe na capacitação permanente de profissionais; entre 2015 e 2025, mais de 181 mil trabalhadores da saúde foram treinados para atuar na identificação precoce e no manejo da doença.
Durante a campanha Janeiro Roxo de 2025, as equipes realizaram mais de 2 milhões de abordagens, resultando na identificação de 1.649 casos suspeitos e 14 confirmações. Um dos maiores desafios destacados pelo Programa Municipal de Controle de Hanseníase é o combate ao estigma social. O Brasil é pioneiro na legislação que proíbe termos discriminatórios, reforçando que a informação é a principal ferramenta para que o paciente busque ajuda aos primeiros sinais, como manchas com perda de sensibilidade.