Prematuridade segue como desafio e pré-natal precoce pode ser determinante para a saúde dos bebês

Especialista do CEJAM explica como o acompanhamento regular permite identificar riscos e prevenir complicações graves

Por DEUSARINA SANTANA
6 Min

Prematuridade segue como desafio e pré-natal precoce pode ser determinante para a saúde dos bebês
Santa Casa de São Roque

São Paulo, janeiro de 2026A prematuridade permanece como uma das principais causas de complicações e mortalidade neonatal no Brasil, o que reforça a importância do início precoce do pré-natal e da atenção contínua às gestantes. Embora diversos fatores possam antecipar o trabalho de parto, muitos deles são identificáveis e tratáveis ainda nas primeiras semanas de acompanhamento. Dados recentes da Fiocruz indicam prevalência média de 11,5% de nascimentos antes das 37 semanas, no Brasil, índice superior à média global estimada em 10%.
Segundo a Dra. Gabriela Oliani, ginecologista da Santa Casa de São Roque, gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a prefeitura local, boa parte dos fatores que levam ao parto prematuro pode ser identificada no pré-natal. “Infecções, hipertensão, diabetes gestacional e alterações uterinas aparecem com frequência e, quando tratadas a tempo, reduzem muito o risco de uma gestação terminar antes da hora.”
Ela ressalta que hábitos como tabagismo e uso de álcool ou drogas também aumentam as chances de prematuridade, especialmente em mulheres com histórico de parto antecipado. “Quando conseguimos mapear a causa, conseguimos intervir. Muitas vezes, a prevenção depende apenas de acompanhamento próximo e orientação adequada.”
A especialista enfatiza que o pré-natal é essencial para detectar alterações de forma precoce. As consultas permitem monitorar o crescimento fetal, avaliar sinais de sofrimento e ajustar medicações. A recomendação é que a gestante procure atendimento imediato se notar contrações antes das 37 semanas, perda de líquido vaginal, sangramento ou diminuição dos movimentos do bebê, sinais que demandam avaliação sem demora.
Quando o parto ocorre prematuramente, os recém-nascidos enfrentam desafios que exigem cuidados intensivos. Dra. Gabriela explica que os pulmões, o sistema nervoso e o trato digestivo ainda imaturos estão entre os principais pontos de atenção. “Esses bebês precisam de suporte respiratório, nutrição especializada e monitorização contínua. É um período muito delicado e qualquer instabilidade pode ter consequências importantes.”
Ela lembra que avanços da neonatologia têm ampliado a sobrevida. “Hoje contamos com técnicas de mínima intervenção, cateteres de inserção percutânea e protocolos que reduzem complicações. O cuidado evoluiu muito e isso se reflete na recuperação dos prematuros.”
 

Cuidado materno-infantil e organização da rede na Santa Casa de São Roque

A Santa Casa de São Roque é uma maternidade de baixa complexidade que atende São Roque e municípios da microrregião. “Estruturamos um leito de estabilização neonatal equipado para receber prematuros nascidos aqui e estabilizar bebês que apresentem algum agravo antes da transferência para unidades terciárias quando necessário”, afirma a diretora da unidade, Carolina Kullack.
Segundo dados do Comitê Estadual de Vigilância do Óbito Materno, Infantil e Fetal (CEVMMIF), a mortalidade infantil na região apresentou queda expressiva, passando de 13% para 2,2% nos últimos anos, chegando a índice zero na instituição em 2025. A maternidade e o pronto-socorro ginecológico atuam de forma integrada com a Secretaria Municipal de Saúde, oferecendo atendimento de emergência, diagnósticos rápidos e encaminhamentos para o pré-natal de rotina ou de alto risco, além de ações de orientação e prevenção. Antes da alta, a unidade agenda consultas de seguimento para garantir continuidade do cuidado.
Esse trabalho também se reflete no volume de atendimentos obstétricos realizados pela instituição. No último ano, a Santa Casa de São Roque contabilizou 1.068 partos, sendo 509 normais e 559 cesáreas, números que reforçam a relevância da unidade como referência regional no cuidado materno-infantil.
Para Carolina, a colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde tem sido fundamental. “Trabalhamos em conjunto para orientar as gestantes e garantir que cada uma tenha o acompanhamento indicado para o seu perfil de risco.”

 

Sobre o CEJAM    

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição. 

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
 
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