A crença de que qualquer exercício de contração serve para tratar a região íntima tem levado um número crescente de pessoas a buscarem soluções genéricas por conta própria, muitas vezes com resultados desastrosos. O assoalho pélvico é uma estrutura muscular complexa que exige equilíbrio, e não apenas força bruta. Quando alguém decide realizar manobras de fortalecimento sem uma orientação profissional, corre o risco de ignorar que o problema pode não ser fraqueza, mas sim um excesso de tensão ou falta de coordenação. Cuidar do assoalho pélvico não é sobre apertar mais, mas sobre entender melhor.
O uso de técnicas inadequadas ou tutoriais de internet acaba criando uma falsa sensação de cuidado, enquanto, na prática, pode estar mascarando patologias ou sobrecarregando ainda mais uma musculatura que já trabalha no seu limite funcional. Para a fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira, essa confusão entre fazer exercício e fazer fisioterapia é o que separa a cura do agravamento dos sintomas. Ela explica que cada organismo responde de forma distinta e que o tratamento precisa ser precedido por um diagnóstico cinético-funcional rigoroso. "Muitas vezes, a paciente chega ao consultório achando que precisa apertar o músculo para parar de perder urina, quando, na verdade, o músculo dela está tão cansado e tenso que não consegue mais reagir a um esforço. Se ela continua forçando essa contração em casa, o quadro de incontinência ou de dor só piora", esclarece. Ela reforça que a intervenção profissional serve justamente para calibrar a dose exata de estímulo que cada corpo suporta.
Um dos erros mais graves observados na prática clínica é a negligência com a fase de relaxamento. A especialista pontua que um assoalho pélvico saudável deve ser capaz de contrair com agilidade e relaxar completamente, permitindo funções básicas como urinar e evacuar sem esforço. Quando o foco é apenas no fortalecimento desenfreado, o paciente pode desenvolver uma hipertonia, que é o encurtamento crônico dessas fibras. "Um músculo que não relaxa perde sua função de amortecimento. Isso explica por que tantas pessoas que praticam atividades de alto impacto ou exercícios pélvicos errados começam a sentir dores profundas ou escapes de urgência, já que a musculatura perdeu a elasticidade necessária para proteger os órgãos", detalha.
A indicação para buscar esse acompanhamento vai muito além da reabilitação pós-cirúrgica ou obstétrica. Flaviana defende que a fisioterapia pélvica deve ser encarada como uma aliada em todas as fases da vida, desde jovens com cólicas intensas até homens com disfunções após tratamentos de próstata ou idosos que desejam manter a autonomia. A recomendação é iniciar o acompanhamento assim que houver qualquer alteração na rotina, como ter que ir ao banheiro muitas vezes por dia ou sentir que o esvaziamento da bexiga é incompleto. "Não existe 'normalidade' em conviver com desconforto íntimo. O momento de começar é agora, antes que o corpo transforme uma pequena disfunção em uma dor crônica de difícil tratamento", afirma.
O diferencial de um tratamento especializado reside na visão sistêmica que o fisioterapeuta pélvico aplica à rotina do indivíduo. A fisioterapeuta conclui que a terapia não acontece apenas dentro do consultório, mas na forma como a pessoa aprende a tossir, a carregar peso e até a respirar durante o dia. Ao entender que a saúde íntima depende de um conjunto de fatores que inclui postura, hidratação e controle emocional, o paciente para de lutar contra o próprio corpo e passa a protegê-lo. "A verdadeira fisioterapia pélvica devolve a liberdade. Quando você entende como sua musculatura funciona, para de ter medo de rir, de pular ou de viajar, porque o seu corpo volta a ser um lugar seguro", finaliza.
Acompanhe o trabalho da Dra. Flaviana Teixeira nas redes sociais: @flavianateixeirafisiopelvica | flavianafisiopelvica.com.br
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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