Dor, escapes de urina e desconfortos íntimos não surgem do nada

Fisioterapeuta pélvica explica como rotina, postura, estresse e falta de consciência corporal desequilibram o assoalho pélvico ao longo dos anos.

Por Bendita Letra
5 Min

Dor, escapes de urina e desconfortos íntimos não surgem do nada
Arquivo pessoal/ Reprodução

A ideia de que o corpo humano falha de repente, especialmente em suas funções mais íntimas, é um dos mitos mais persistentes no senso comum sobre saúde. Frequentemente, escapes de urina ao tossir, dores persistentes na região do baixo ventre ou desconfortos durante momentos de intimidade são tratados como incidentes isolados ou consequências inevitáveis do avanço da idade. No entanto, a ciência por trás da saúde pélvica revela um cenário diferente: esses sintomas são o estágio final de um desequilíbrio que vem sendo construído silenciosamente ao longo de décadas. Esse processo é mais comum do que se imagina: estima-se que cerca de 30% das mulheres apresentarão algum tipo de disfunção do assoalho pélvico ao longo da vida, incluindo escapes urinários, dor pélvica ou desconfortos durante a relação sexual.

 

O assoalho pélvico, um conjunto complexo de músculos e ligamentos que sustenta órgãos vitais, não colapsa sem aviso; ele reage a uma somatória de pequenos hábitos, pressões cotidianas e negligências posturais que, acumuladas, retiram sua capacidade de resposta e resiliência.

 

A fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira explica que o estilo de vida contemporâneo é o principal catalisador desse processo de enfraquecimento. Segundo a especialista, o hábito de passar horas em posturas inadequadas, seja curvada sobre o computador ou sentada de forma displicente, altera a biomecânica do quadril e cria uma pressão intra-abdominal constante e nociva. "O assoalho pélvico não trabalha de forma isolada; ele funciona em sinergia com a nossa respiração e com a coluna. Quando adotamos posturas que comprimem o abdômen ou que sobrecarregam o cóccix, estamos forçando essa musculatura a sustentar um peso para o qual ela não foi projetada, o que acaba gerando microlesões e fadiga muscular a longo prazo", pontua.

 

Além das questões estruturais, o fator emocional atua como um gatilho invisível para diversas disfunções pélvicas. Flaviana ressalta que a região do períneo é um dos principais pontos de somatização do estresse e da ansiedade no corpo humano. Em situações de tensão prolongada, muitas pessoas desenvolvem o hábito inconsciente de "prender" a musculatura pélvica, mantendo-a em um estado de contração constante. 

 

Esse excesso de tensão, conhecido como hipertonia, é tão prejudicial quanto a fraqueza muscular, pois um músculo que não consegue relaxar perde sua funcionalidade, resultando em dores crônicas, dificuldade de esvaziamento da bexiga e desconforto sexual que o paciente muitas vezes não consegue associar ao seu estado emocional.

 

A falta de consciência corporal e a desinformação sobre o próprio funcionamento biológico também figuram entre as causas centrais listadas pela fisioterapeuta. Para Flaviana, existe um abismo entre saber que os músculos pélvicos existem e saber como coordená-los de forma funcional. 

 

A maioria das pessoas só volta a atenção para essa área quando surge um sintoma incapacitante, mas ignora sinais precoces como a urgência constante para ir ao banheiro ou uma leve sensação de peso na região. "Nós somos ensinados a exercitar os músculos que aparecem no espelho, mas negligenciamos a musculatura que garante a nossa dignidade e qualidade de vida. Sem essa percepção interna, perdemos o controle sobre as funções mais básicas do organismo", alerta a especialista.

 

O caminho para a recuperação e manutenção da saúde íntima exige, portanto, um olhar integral que vá além do tratamento do sintoma isolado. Flaviana Teixeira enfatiza que a fisioterapia pélvica atua na reeducação dessas funções, ensinando o paciente a reconectar o cérebro aos músculos profundos do tronco. Ela defende que entender a relação entre postura, emoções e hábitos de banheiro é a única forma de evitar que desconfortos se tornem patologias severas. "A dor e o escape nunca devem ser normalizados, não importa a fase da vida. O corpo avisa muito antes de parar, e ouvir esses sinais é o primeiro passo para retomar a autonomia e o bem-estar", conclui a fisioterapeuta.

 

Acompanhe o trabalho da Dra. Flaviana Teixeira nas redes sociais: @flavianateixeirafisiopelvica | flavianafisiopelvica.com.br

 


 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
[email protected]


FONTE: Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
Notícias Relacionadas »