A região central de São Paulo recebeu um novo fôlego verde com a entrega do Bosque Suiriri, localizado sob o centenário Viaduto Santa Ifigênia. A iniciativa faz parte das ações de revitalização do centro histórico e acompanha a conclusão da maior reforma estrutural e arquitetônica já realizada no viaduto. O projeto demonstra a viabilidade de integrar a preservação de monumentos históricos com soluções baseadas na natureza para qualificar a paisagem urbana.
Na última segunda-feira (5), foi realizado o plantio de 500 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, como o araçá-vermelho, selecionadas especificamente por sua adaptação a áreas de meia-sombra. A ação contou com a parceria do coletivo de voluntários Pedra 90 e de associações de moradores locais. O objetivo é que o adensamento vegetal auxilie na absorção de água da chuva, na redução da poluição sonora e na melhoria do microclima em uma área de tráfego intenso.
O secretário municipal das Subprefeituras, Fabricio Cobra, ressaltou a função técnica e social desses espaços para a capital. “O bosque tem características específicas: é uma área com maior adensamento vegetal e, por isso, inicialmente fechada à visitação. Em muitos casos, são locais de difícil acesso, como este, ao lado de uma grande avenida. No futuro, o espaço poderá receber visitas com caráter educativo”, explicou o secretário, destacando o potencial pedagógico da iniciativa.
Atualmente, São Paulo conta com 10 bosques urbanos já consolidados e outros 28 em fase de implementação. Esses ecossistemas funcionam como ilhas de biodiversidade que ajudam no sequestro de carbono; segundo dados técnicos, a cada sete árvores plantadas, cerca de uma tonelada de carbono é sequestrada nos primeiros 20 anos. Além do benefício climático, as árvores nativas atraem aves e polinizadores, recompondo habitats naturais dentro da metrópole.
O Bosque Suiriri soma-se a outras intervenções que buscam tornar o centro mais resiliente e agradável para pedestres e turistas. Representantes da sociedade civil e especialistas em jardinagem urbana destacam que o aumento da permeabilidade do solo e a filtragem do ar são essenciais para a saúde pública. Com a ampliação da cobertura vegetal, a prefeitura reforça o compromisso de mitigar os efeitos das ilhas de calor e fortalecer a sustentabilidade no coração da cidade.