Yellow Zones darão voz à periferia durante a COP 30

Programa demonstra interesse da população de Belém em participar das discussões sobre as alterações climáticas no cotidiano

IMPRENSA CONTEúDO
04/11/2025 14h38 - Atualizado há 1 mês

Yellow Zones darão voz à periferia durante a COP 30
Foto: Hugo Chaves

A iniciativa Yellow Zones, de desenvolvimento comunitário, leva o debate sobre a crise climática aos bairros periféricos de Belém. Chega à COP 30 após ser bem-sucedida na mobilização de moradores em busca de soluções para os problemas da capital. Criado pela COP das Baixadas - uma coalizão de dez organizações que atuam diretamente nessas comunidades - o programa, inédito na Conferência do Clima, procura fazer a conexão entre o local e global, demonstrando o interesse da população da periferia em participar das discussões sobre o impacto das alterações do clima no cotidiano, provocando enchentes, alagamentos e variações de temperatura. 

Na Conferência da ONU, as Yellow Zones vão dar voz às periferias organizadas nos coletivos espalhados pelas áreas mais carentes, conhecidas como baixadas. Essas “zonas amarelas”, populares e comunitárias, surgiram no Brasil em 2024, após a realização de duas COPs das Baixadas: uma sobre educação climática e outra voltada para pautas globais, como o Acordo de Escazú (a favor dos defensores do meio ambiente, da participação da sociedade na tomada de decisão e do direito à informação). “A partir daí, expandimos nossa participação para as conferências internacionais, com uma delegação própria enviada à COP 28, em Dubai, e vimos as discussões sobre a agenda climática ganharem força nas áreas periféricas da cidade”, conta Ruth Ferreira, integrante dos coletivos Gueto Hub e EcoAmazônias, ambos no bairro Jurunas, em Belém.

É nesses coletivos que o debate sistemático conscientiza a população sobre as alterações no clima e suas consequências, bem como as necessidades de cada comunidade, de infraestrutura a geração de emprego e renda e cultura, com o objetivo de sensibilizar o poder público para as demandas dos bairros mais pobres e também mais vulneráveis ao clima. Um exemplo concreto e atual é o debate suscitado entre os moradores do bairro Vila da Barca, um dos maiores do Brasil erguido sobre palafitas, por conta do redirecionamento da rede de esgoto do Parque Linear da Doca para a região, devido às obras para a conferência do clima. 

Os espaços funcionam como centros de referência locais, onde os moradores participam de atividades socioambientais, culturais e educativas, uma forma de conectar a comunidade à pauta climática e ao pertencimento territorial. “A gente quer chegar nesse lugar de justiça social e reparação para as periferias que estão sediando a Conferência e desejam se ver incluídas nesse mundo novo”, afirma Jean Ferreira, do Gueto Hub, ao destacar a importância da descentralização das discussões por toda a cidade, muito além da Blue Zone, palco da agenda oficial da COP 30. 

Atividades - Os eventos serão realizados em oito Yellow Zones na capital, localizadas nos bairros Jurunas, Vila da Barca, Águas Lindas, Icoaraci e Cremação, entre outros. “Cada Zona Amarela traz características específicas de seu território, além de um programa de desenvolvimento comunitário próprio”, explica Ruth. No Gueto Hub, haverá atividades como roda comunitária com foco em práticas tradicionais, círculo de conversas sobre memória cultural do bairro, luta territorial e crise climática. No coletivo EcoAmazônias, onde moradores aprenderam práticas sustentáveis como composteiras e ecotijolos, estão previstas oficinas de arte e ecologia e trilhas ecológicas para fortalecer a ligação de crianças e adolescentes com o território.

O tema mobilidade urbana, interligado à pauta climática, estará entre os debates do coletivo Paraciclo, agraciado cinco vezes com o Prêmio Bicicleta Brasil, do governo federal, pelo projeto Perifa na Pista, de incentivo ao uso de bicicletas na periferia da cidade. “Queremos maior apoio do governo à mobilidade ativa e sustentável para priorizar todos os deslocamentos feitos com propulsão humana, pois a poluição causada por combustíveis fósseis é danosa ao meio ambiente”, defende Ruth Costa, diretora-financeira da organização

Uma Bicicletada Manifesto, com a presença de ciclistas de todo o país, está programada para o dia 15 de novembro, saindo da sede da organização, no bairro de Águas Lindas, até o início da Marcha Mundial pelo Clima. Por cerca de 20 km, os participantes querem chamar a atenção de autoridades e da sociedade para a importância da mobilidade no enfrentamento da crise climática, e também para o uso da bicicleta como instrumento de mitigação, as más condições de calçadas para pedestres – o Pará está em 5º lugar no ranking das piores calçadas do Brasil - e políticas públicas inclusivas e sustentáveis de deslocamento.

Na comunidade ribeirinha Vila da Barca, arte e cultura vão mobilizar crianças e adolescentes com o projeto Barca Literária, uma biblioteca ambulante que dá acesso à leitura e à educação visando a inclusão social e difusão dos saberes comunitários. No distrito de Icoaraci, o coletivo Chibé dará andamento ao Laboratório Narrativo Entrando no Clima, um programa de educação climática para jovens da rede pública de ensino, que envolve a produção de materiais sobre ações realizadas no território.

Toda a programação das Yellow Zones foi organizada com o objetivo de descentralizar as discussões da pauta climática por toda a cidade de Belém, deixar um legado para a população local de formação e capacitação de moradores das áreas periféricas, estimular a mobilização permanente em torno da agenda do clima e empoderar as comunidades no debate e reflexão de temas pertinentes a seus territórios.

Para saber mais sobre as Yellow Zones, acesse https://yellow-zone.org e https://youtu.be/byO5yjvR6PA


 

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GUSTAVO COSME MOURÃO PINHEIRO
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