Igreja Presbiteriana de Pinheiros leva água potável à tribo de Burkina Faso

Perfuração de um poço profundo pode apontar caminhos para atenuar a insegurança hídrica no país, o único da África Ocidental onde houve retrocesso no acesso da população à água entre 2000 e 2022

RICARDO VIVEIROS ASSOCIADOS
04/11/2025 12h51 - Atualizado há 1 mês

Igreja Presbiteriana de Pinheiros leva água potável à tribo de Burkina Faso
Divulgação

A Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), da cidade de São Paulo, em parceria com o Projeto Mais Água, inaugurou um poço profundo na tribo de Gwentiera, localizada na região de Banfora, em Burkina Faso. Com uma vazão de 12 metros cúbicos por hora, trata-se da mais relevante conquista hídrica na história da comunidade beneficiada. 
 

A obra representa um marco de esperança, dignidade e vida para toda a população local. Agora, as famílias terão acesso diário a água limpa, com impacto direto na saúde, qualidade da vida e desenvolvimento local

Burkina Faso tem cerca de 23 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 67% vivem em zonas rurais. Apresenta densidade populacional de 82 habitantes por quilômetro quadrado. Segundo o Banco Mundial, com um PIB estimado em US$ 57 bilhões e um PIB per capita de US$ 2,48 mil, a economia nacional é marcada por forte presença do setor agrícola, que utiliza mais da metade da terra disponível e responde por 16% da produção econômica, enquanto a indústria contribui com 29% e os serviços com 44%. 
 

Na região de Banfora, onde está situada Gwentiera, predominam as atividades de agricultura, pecuária e mineração. Apenas 69% da população local têm acesso básico à água, enquanto o saneamento alcança somente 28% dos habitantes.
 

Um grave problema humanitário
 

A crise hídrica em Burkina Faso é um problema grave e persistente. Estima-se que 11,5 milhões de pessoas no país ainda vivam sem acesso à água potável. Quase metade da população rural não dispõe de recurso seguro para consumo diário. Menos de 10% das famílias têm condições adequadas para higiene domiciliar e apenas cerca de 9% contam com sistemas de saneamento geridos de maneira segura (dados: Unicef & WHO – Joint Monitoring Programme - JMP) 
 

Entre os anos 2000 e 2022, o acesso à água no país recuou 8%, tornando Burkina Faso a única nação da África Ocidental com tendência negativa nesse indicador. Em muitas regiões, os períodos de seca estendem-se de novembro a junho. Os deslocamentos em busca de água podem chegar a 70 minutos por trajeto. Além disso, o cenário de instabilidade agrava a situação: de acordo com o ReliefWeb, serviço especializado do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, ataques a pontos de abastecimento de água em 2022 destruíram ao menos 58 estruturas, deixando centenas de milhares de pessoas sem acesso ao recurso.
 

A implantação do poço em Gwentiera representa um avanço significativo para a comunidade, especialmente mulheres e crianças, que tradicionalmente são as responsáveis por buscar água a grandes distâncias. Com essa conquista, diminui-se o esforço físico diário, reduzem-se os riscos de contaminação e se amplia o potencial de desenvolvimento humano e comunitário.

 

Uma causa social e religiosa
 

O compromisso da Igreja Presbiteriana de Pinheiros com causas sociais ligadas ao acesso à água por comunidades carentes desse recurso não se limita ao continente africano. Em 2025, a IPP está destinando R$ 1,63 milhão à perfuração de 250 poços de água potável em regiões áridas do Nordeste brasileiro, por meio de sua Junta Missionária. 
 

Um dos principais projetos, em parceria com o Instituto Água Viva, atenderá cinco mil pessoas nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí, com aporte de R$ 1,06 milhão. Outra frente importante é o Projeto Novo Sertão, realizado no Piauí, com investimento de R$ 766,93 mil. No Rio Grande do Norte, por meio da Missão Atos 29, 415 famílias já foram beneficiadas. O Projeto Diaconia, que atende famílias em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, garante água potável a 214 famílias por meio de 12 poços.
 

Essa atuação social está profundamente alinhada aos preceitos da solidariedade cristã. Além da questão hídrica, a IPP investe na assistência direta a populações em situação de vulnerabilidade. Entre 2024 e junho de 2025, foram entregues 18.911 cestas básicas, num total de R$ 921,64 mil investidos. Também apoia projetos voltados à recuperação de dependentes químicos, como o Resgate Cracolândia, em São Paulo, além de parcerias com a Missão Amor, em Cotia, e com o Resgatando Vidas, em Guarulhos.
 

Com mais de um século de história, a IPP consolidou-se como uma das mais importantes igrejas da Fé Reformada no Brasil. Fundada oficialmente em 8 de julho de 1906, nasceu das ações missionárias iniciadas em 1902 por membros da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, no bairro paulistano de Pinheiros. Reconhecida por sua seriedade teológica e engajamento social, mantém desde 2008 a Junta Missionária de Pinheiros (JMP), responsável por coordenar os projetos missionários no Brasil e no exterior.

 

Sobre o Mais Água

O Projeto Mais Água, parceiro da IPP em Burkina Faso, foi criado em 2013 na cidade de São Paulo com o objetivo de transformar realidades por meio do acesso à água limpa e segura. Atua em comunidades brasileiras e, mais recentemente, também no exterior, sempre buscando garantir um recurso essencial à vida. A colaboração com a IPP exemplifica o alcance global do projeto e a força das parcerias solidárias na superação de desigualdades históricas.


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SUZANE SANTOS DE MELO
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