Agronegócio fluminense busca valorizar pequenos produtores e ampliar mercado com inovação e consórcios públicos

Painel do 10º Congresso Estadual de Agronomia discute estratégias para transformar o agro do Rio de Janeiro em motor de desenvolvimento econômico e sustentável

VIVIAN TEIXEIRA
28/08/2025 15h20 - Atualizado há 6 horas

Agronegócio fluminense busca valorizar pequenos produtores e ampliar mercado com inovação e consórcios
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O Rio de Janeiro, mais conhecido pelo turismo e pelos serviços, guarda um potencial estratégico em sua agricultura, pecuária e pesca. Esse será o foco do 3º Painel de Desenvolvimento Econômico – “Vantagens Comparativas da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro”, que acontece no 10º Congresso Estadual de Agronomia (CEA), promovido pela Associação dos Engenheiros Agronomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ). 

Para a engenheira agrônoma Marina Esteves, diretora-geral do CONLESTE e moderadora do painel, o fortalecimento das cadeias produtivas depende da diversificação e da agregação de valor. “Quando uma fruta vira geleia, quando o leite se transforma em queijo ou iogurte, ou quando o café é torrado e embalado com selo de origem, o produtor deixa de ser mero fornecedor de matéria-prima para se tornar protagonista em cadeias de valor rentáveis”, afirma.

Segundo ela, o Rio pode se tornar referência nacional ao conciliar inovação, competitividade e sustentabilidade. “O estado tem todas as condições de ser exemplo de um agro moderno, que gera renda e desenvolvimento sem abrir mão da preservação ambiental. A preservação dos nossos ecossistemas não é obstáculo, mas sim a base para uma prosperidade duradoura, equitativa e resiliente”, destaca.

Entre as políticas públicas que considera essenciais estão o incentivo à pesquisa e inovação, a certificação e diferenciação de produtos, a infraestrutura e conectividade digital no campo, além do fortalecimento do cooperativismo e do acesso a mercados. “O que podemos chamar de um ‘Agro Chique’, com produção sustentável, inovadora e de alto valor agregado, é a imagem que deve posicionar o Rio de Janeiro no cenário nacional”, defende.

Marina lembra ainda que é preciso garantir a inclusão de pequenos e médios produtores em cadeias em expansão, como orgânicos, agroecológicos, cafés especiais, queijos artesanais, hortifrúti de qualidade e aquicultura sustentável. Para isso, são necessárias políticas integradas entre Agricultura, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia, além da participação ativa de associações e cooperativas. Educação e qualificação profissional, segundo ela, são pilares desse processo. “Sem educação e formação contínua, o campo corre o risco de perder talentos e oportunidades. Investir em conhecimento é investir em produtividade, inovação e qualidade de vida”, completa.

O presidente da Rede Nacional de Consórcios Públicos, Victor Borges, apresentará no painel um modelo que já está transformando a realidade de pequenos produtores em várias regiões: o CONSIM, programa de inspeção articulado pelo Ministério da Agricultura. “A lei dos consórcios públicos permite que municípios se unam para reduzir despesas e ganhar escala. No agro, isso significa disponibilizar equipes técnicas que certificam produtores locais. Com essa certificação, eles podem vender não apenas em seus municípios de origem, mas em toda a região consorciada e, depois, em nível nacional. É uma política pública eficiente, que formaliza produtores, amplia a oferta de alimentos de qualidade e fortalece a economia regional”, explica.

Ele lembra que os resultados já são expressivos. “Estamos chegando a cerca de 90 consórcios públicos certificadores no Brasil, envolvendo mais de 200 municípios. Apenas 5% optaram por serviços individualizados, o que mostra que o caminho coletivo é o mais eficiente, principalmente para municípios de pequeno porte, como é a realidade da maioria no Rio de Janeiro”, afirma.

Inicialmente voltado para produtos de origem animal, o programa foi ampliado em 2023 para incluir também itens vegetais, como farinhas, sucos, castanhas e especiarias. “Essa evolução mostra que o CONSIM é uma solução econômica inteligente e inclusiva, que atende desde a agricultura familiar até assentados da reforma agrária. É uma forma de aumentar a produção de alimentos, promover segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento regional”, completa Borges.

Além de Marina Esteves e Victor Borges, o painel contará com a participação de Fernanda Curdi, secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Carlos Vinícius Viana Vieira, secretário executivo do Consórcio Público Intermunicipal do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf); Wanderson Primo de Souza, gerente de Relacionamento com Comunidades do Porto do Açu; e José Carlos Polidoro, assessor de Programas Estratégicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A relatoria ficará a cargo do engenheiro agrônomo Carlos Frederico de Menezes Veiga, inspetor do CREA-RJ.

O 10º Congresso Estadual de Agronomia (CEA) acontece de 11 a 13 de setembro, no Centro de Convenções da UENF, em Campos dos Goytacazes (RJ), reunindo especialistas para discutir inovação, sustentabilidade e valorização profissional no setor.
 

Sobre a AEARJ: A Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ) é uma entidade sem fins lucrativos que representa e valoriza os profissionais da Agronomia no estado. Com atuação voltada ao fortalecimento da categoria, à defesa da profissão e ao desenvolvimento sustentável do setor agropecuário e ambiental, a AEARJ promove eventos técnicos, debates, cursos e iniciativas que aproximam os engenheiros agrônomos da sociedade. 

 


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VIVIAN TEIXEIRA DA SILVA
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