Dia Nacional de Combate ao Fumo: aumento do tabagismo reacende alerta para a DPOC, quinta principal causa de morte no Brasil

Especialista reforça importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do controle das crises para frear a progressão da doença

BRUNA QUINTANILHA
28/08/2025 10h10 - Atualizado há 4 horas

Dia Nacional de Combate ao Fumo: aumento do tabagismo reacende alerta para a DPOC, quinta principal causa de
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Criado para conscientizar a população sobre os riscos do tabaco e seus derivados, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, ganha este ano um alerta adicional: pela primeira vez desde 2007, o Brasil registrou crescimento significativo no número de fumantes. Dados do Ministério da Saúde mostram aumento de 25% entre 2023 e 2024, revertendo a tendência de queda registrada nas últimas décadas1.

O cenário preocupa especialistas, já que o tabagismo é o principal fator de risco para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), condição que afeta cerca de 300 milhões de pessoas globalmente, sendo a terceira principal causa de morte no mundo  e a quinta no Brasil 3,4.


A DPOC é caracterizada por sintomas respiratórios crônicos, como falta de ar, tosse e produção de muco, decorrentes de alterações nas vias respiratórias que levam à obstrução persistente e geralmente progressiva do fluxo de ar2. Embora não tenha cura, a doença pode ser tratada e controlada. O tratamento da DPOC tem como objetivo reduzir sintomas e o risco de exacerbações. A combinação da farmacoterapia adequada, reabilitação pulmonar e capacitação médica continuada sobre a DPOC melhora a qualidade de vida do paciente, retarda a progressão da doença e pode reduzir a mortalidade.2

Estima-se que 70% dos brasileiros com DPOC não tenham recebido o diagnóstico3,8 da doença, o que retarda o início do tratamento e aumenta o risco de complicações. “A intervenção precoce é essencial para prevenir crises graves que podem levar à hospitalização e à progressão acelerada da doença ”, afirma o Dr. Bernardo Maranhão (CRM RJ 52 54416-4), médico pneumologista e gerente de Grupo Médico da GSK.

Exacerbações da DPOC

Os episódios de crises da DPOC, conhecidos como exacerbações, têm alto impacto na morbidade e na qualidade de vida dos pacientes. A recuperação pode levar semanas5 e, quanto mais frequentes e graves, maior o impacto no estado de saúde e no risco de complicações severas6.

Impacto social e econômico

No ano de 2022, a DPOC causou mais de 43 mil óbitos no SUS 9. O tabagismo, principal fator associado, representa um custo anual de R$ 153 bilhões ao sistema de saúde brasileiro, enquanto a arrecadação de impostos com a venda de cigarros corresponde a apenas 5% desse valor, de acordo com o Ministério da Saúde1.

Avanços no tratamento e adesão

O especialista ressalta que a cessação do tabagismo, associada aos avanços no acesso a terapias eficazes, à personalização do manejo clínico e à maior adesão terapêutica, é fundamental para estabilizar a doença, reduzir exacerbações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes 2. “A simplicidade de uso dos tratamentos já incorporados pelo SUS e outros que ainda estão por vir, bem como a abordagem centrada no paciente têm potencial para reduzir hospitalizações e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, completa Maranhão.


Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.

Referências
1 – Ministério da Saúde. Dados mostram crescimento de 25% no número de fumantes no Brasil. Agência Brasil, 28/05/2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2025-05/dados-mostram-crescimento-de-25-no-numero-de-fumantes-no-brasil. Acesso em: 10/08/2025.

2 – GOLD 2025. Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Disponível em: https://goldcopd.org/2025-gold-report/. Acesso em: 18/08/2025.

3 – CONITEC. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da doença pulmonar obstrutiva crônica. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2021/20210623_relatorio_pcdt_doenca_pulmonar_obstrutiva_cronica.pdf. Acesso em: 18/08/2025.

4 – Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). 18/11 – Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). 2020. Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/dia-mundial-dpoc-2020/. Acesso em: 12/08/2025.

5 – SEEMUNGAL, T.A.R. et al. Time course and recovery of exacerbations in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Am J Respir Crit Care Med, v. 161, p. 1608-1613, 2000.

6 – ROTHNIE, K.J. et al. Natural history of chronic obstructive pulmonary disease exacerbations in a general practice–based population. Am J Respir Crit Care Med, v. 198, n. 4, p. 464-471, 2018.

7 - Queiroz M, Moreira MAC, Rabahi MF. Epidemiology of chronic obstructive pulmonary disease in Brazil: A systematic review and meta-analysis. Int J Chron Obstruct Pulmon Dis. 2015;10:1-6. doi:10.2147/COPD.S70371.

8 - Moreira GL et al. PLATINO, a nine-year follow-up study of COPD in the city of São Paulo, Brazil: the problem of underdiagnosis.

9 - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Tabnet; ÓBITOS por DPOC 2017-2022. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/. Acesso em: 21/08/2025.

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BRUNA OLIVEIRA QUINTANILHA
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