O envelhecimento é um processo natural e inevitável, mas a forma como passamos por ele pode ser decisiva para a nossa qualidade de vida. Hoje, mais do que nunca, a medicina busca desvendar os segredos do equilíbrio hormonal para nos ajudar a viver mais e, sobretudo, melhor.
Com o passar dos anos, todos nós passamos por quedas graduais na produção de substâncias essenciais ao equilíbrio do organismo. Essas fases são chamadas de “pausas” hormonais. “Primeiro ocorre a redução da melatonina, hormônio que regula o sono e o ritmo circadiano. Depois, há queda do DHEA, produzido pelas adrenais, e do hormônio do crescimento”, explica Dr. Rafael Fantin, Médico Endocrinologista e Metabologista, com especialização em Medicina do Exercício e Esporte e em Prática Ortomolecular e Nutrigenômica.
Essas mudanças, embora naturais, têm um impacto real e muitas vezes silencioso na saúde física, mental e metabólica. Os sintomas podem ser graduais, o que faz com que muitas pessoas se acostumem e pensem que “é o novo normal”.
“O primeiro sinal tende a aparecer no desempenho mental: mais fadiga, raciocínio lento, memória prejudicada e queda da produtividade e interação social. Em seguida, surgem alterações metabólicas que transformam o corpo de anabólico (que constrói e mantém massa muscular) para catabólico (que a perde). A eficiência do metabolismo também diminui, favorecendo o acúmulo de gordura e o ganho de peso”, complementa o especialista.
Quando começar a monitorar?
Não existe uma idade ideal para começar a monitorar os níveis hormonais; a avaliação deve ser feita de acordo com os sintomas e o contexto individual. Embora a maioria das queixas hormonais apareça por volta dos 40 anos, fatores como sono de má qualidade, estresse crônico, obesidade e consumo de álcool e tabaco estão levando ao surgimento de sintomas cada vez mais cedo.
É fundamental contar com um profissional qualificado para associar uma avaliação clínica detalhada a exames laboratoriais complexos, diferenciando o que é doença ou desequilíbrio do que é parte do envelhecimento esperado.
Reposição hormonal: individualidade acima de tudo
A reposição hormonal é um tema frequente, mas sua avaliação exige cautela. O princípio da medicina é repor apenas o que está deficiente e necessário. “Quando a reposição é feita sem critério, podem ocorrer dois problemas graves. Primeiro, o organismo reduz sua própria produção, tornando-se dependente. Segundo, pode haver acúmulo hormonal, resultando em efeitos colaterais”, alerta o Dr. Rafael.
A terapia de reposição hormonal não é indicada para todos os casos, e a avaliação deve ser rigorosa, considerando a individualidade do paciente. Protocolos padronizados podem desorganizar o funcionamento hormonal e causar mais prejuízos do que benefícios, como disfunções na produção de cortisol e alterações de humor.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
[email protected]