Última semana da temporada de "Visitando Camille Claudel", no teatro Gláucio Gill
Adriana Rabelo encerra temporada de sucesso do seu monólogo que mergulha na trajetória da escultora francesa
João Mário
O monólogo Visitando Camille Claudel encerra temporada no Teatro Gláucio Gill nesse fim de semana com sessões sábado, domigo e segunda, às 20h. Estrelada por Adriana Rabelo e com direção e texto de Ramon Botelho, a peça é muito mais do que uma biografia cênica. O espetáculo mergulha na trajetória da escultora francesa Camille Claudel (1864–1943), cujo talento foi obscurecido por preconceitos de gênero e pela exclusão social. Aluna e parceira do escultor Auguste Rodin, Camille teve sua carreira interrompida por uma longa internação psiquiátrica, ocorrida sem diagnóstico claro e sem seu consentimento, onde permaneceu por mais de 30 anos. O texto destaca sua luta por reconhecimento em um meio artístico masculino e explora as consequências da marginalização feminina no campo da arte e da saúde mental. Embora ambientada entre os séculos XIX e XX, Visitando Camille Claudel propõe um diálogo com o presente ao tratar de temas como: Igualdade de gênero, Saúde mental e estigmas, Reconhecimento da mulher no mercado de trabalho e Luta antimanicomial. Segundo a equipe, a montagem busca sensibilizar o público sobre a persistência de práticas de silenciamento, especialmente contra mulheres e provocar reflexões sobre políticas públicas de cuidado e escuta. A atriz Adriana Rabelo vive Camille com base em uma preparação intensa, que começou em 2005. Ao longo desses anos, ela se dedicou a compreender a artista profundamente: leu cartas da escultora, frequentou aulas de escultura, desenho e manipulação de bonecos, posou como modelo vivo para escultores e visitou uma instituição psiquiátrica. Em Paris, encontrou-se com Anne Delbée, autora do livro Camille Claudel: Uma Mulher, e percorreu lugares importantes da trajetória da escultora, como o Museu Rodin. “Hoje, em 2025, com mais maturidade tenho um olhar mais consciente dessa mulher que foi vítima de uma sociedade machista porque ousou questionar os padrões impostos na época e foi punida com o isolamento e o esquecimento”, conta Adriana. O espetáculo propõe uma nova forma de contar a história de Camille: não apenas como a de uma “louca esquecida”, mas como a de uma mulher criativa, ferida por um sistema opressor. A peça transforma dor em reflexão social, propondo a arte como forma de reparação simbólica e denúncia. “Ao dar voz a quem foi silenciado, a montagem reafirma o papel da arte como instrumento político e humano”, afirma a produção. Domingo, dia 24, teremos um bate-papo ao final do espetáculo com Viviane Mosé, filósofa, psicanalista e poeta. Serviço Peça: Visitando Camille Claudel Quando: Até 25 de agosto – sábados, domingos e segundas, às 20h Onde: Teatro Gláucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde, Copacabana, RJ Ingresso: http://funarj.eleventickets.com/ (escolher Teatro Gláucio Gill e data) Classificação indicativa: 14 anos Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
ALESSANDRA GARCINDO DAYRELL
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