O paradoxo da hiperconectividade

Por Maurício Andrade, superintendente administrativo do Sicoob UniCentro Br

KASANE COMUNICAÇÃO
03/04/2025 14h48 - Atualizado há 18 horas

O paradoxo da hiperconectividade
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Mais do que nunca, produtividade parece sinônimo de estar ocupado. A cultura da conectividade, na qual valoriza-se quem trabalha incansavelmente e responde mensagens a qualquer hora, tomou conta das empresas. Mas produzir mais não significa, necessariamente, trabalhar mais. Na verdade, essa mentalidade pode estar prejudicando a qualidade do trabalho e a capacidade de pensar criticamente. Aqui surge a pergunta: estamos realmente sendo produtivos ou apenas parecendo ocupados? Essa questão é especialmente relevante no ambiente corporativo moderno, onde a competitividade e a pressão por resultados muitas vezes reforçam a cultura da ocupação constante.

Para responder a essa pergunta, podemos recorrer a Jonathan Haidt, que em sua polêmica obra, A Geração Ansiosa, argumenta que a hiperconectividade e o excesso de informação têm contribuído para um aumento da ansiedade e da incapacidade de concentração de crianças, jovens e adultos. A todo momento, somos bombardeados por notificações, e-mails e a ilusão de que precisamos estar sempre ligados para sermos produtivos. No entanto, essa constante fragmentação de atenção não só reduz nossa capacidade de realizar tarefas com profundidade, como também esgota nossa energia mental, tornando-nos menos eficazes e até mesmo doentes. Além disso, a necessidade de estar sempre disponível cria um ambiente onde a exaustão se torna a norma, minando a criatividade e o bem-estar dos profissionais a longo prazo.


Outro pensador – um dos principais sobre produtividade na era digital –, Cal Newport, aborda esse dilema em seus livros Trabalho Focado e Slow Productivity. O autor defende que o verdadeiro trabalho produtivo acontece quando conseguimos eliminar distrações e nos aprofundar em tarefas de alta complexidade. Esse tipo de trabalho, que exige atenção plena e concentração ininterrupta, é fundamental para a inovação e a resolução de problemas significativos. Esse conceito desafia a ideia tradicional de que produtividade está relacionada ao volume de tarefas realizadas, enfatizando, ao contrário, a profundidade e o impacto do trabalho executado. Newport propõe um conceito revolucionário: trabalhar de forma mais lenta, intencional e qualitativa, em vez de buscar produzir o máximo possível em curtos períodos.

O que se nota, portanto, é que o uso excessivo de tecnologia e redes sociais tem nos levado a um estado constante de alerta e nossa capacidade de imersão profunda tem sido substituída por uma multitarefa superficial. Como resultado, entregamos trabalhos medianos, sem criatividade e sem impacto. Para combater esse ciclo, precisamos reformular nossa relação com o trabalho. Nesse sentido, algumas soluções práticas incluem estabelecer limites digitais, adotar técnicas de ciclos de produção sem interrupção e valorização de momentos de descanso real. Atenção plena, foco e um ritmo de trabalho mais humano podem ser a chave para uma produtividade verdadeira e significativa. Por isso, é essencial buscar equilíbrio entre a conectividade e a necessidade de períodos de trabalho profundo e restaurador. Fica a provocação: que possamos produzir mais, cansando-nos menos.

Maurício Andrade é superintendente administrativo do Sicoob UniCentro Br

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CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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