Dieta na gravidez pode influenciar chances de autismo, aponta estudo — ginecologista explica o que considerar

SARAH MONTEIRO
01/04/2025 15h40 - Atualizado há 1 dia
Dieta na gravidez pode influenciar chances de autismo, aponta estudo — ginecologista explica o que considerar
Divulgação
Uma pesquisa recente publicada pela JAMA Network Open trouxe novos olhares sobre a relação entre alimentação materna e o desenvolvimento neurológico infantil. O estudo, conduzido pela Universidade de Glasgow com mais de 95 mil mães e seus filhos, sugere que uma dieta saudável durante a gravidez pode estar associada a menores chances de diagnóstico de autismo na infância.

Para entender o impacto desses achados na prática clínica, conversamos com a ginecologista e obstetra Dra. Juliana Bagi, que reforça a importância de uma alimentação equilibrada durante a gestação, não apenas pela saúde da mãe, mas também pelo desenvolvimento neurológico e imunológico do bebê.



O que diz o estudo

A pesquisa analisou os hábitos alimentares das gestantes entre 1990 e 2008 e acompanhou os filhos até os 8 anos de idade. Os resultados mostraram que mulheres com alta adesão a uma dieta saudável — rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e oleaginosas — tiveram uma redução de 22% na chance de seus filhos receberem diagnóstico de autismo. Além disso, foi observada uma redução de 24% em dificuldades de comunicação social, especialmente entre meninas.



Dieta, genética e fatores ambientais

Apesar dos dados promissores, os cientistas alertam: os resultados são observacionais, ou seja, não provam uma relação de causa e efeito. Ainda assim, eles reforçam a importância de hábitos alimentares saudáveis na gravidez como um dos possíveis fatores protetores.

“A alimentação da gestante influencia diretamente na formação neurológica do bebê. Vitaminas, minerais, antioxidantes e ácidos graxos essenciais, como o ômega-3, participam de processos fundamentais no desenvolvimento cerebral”, explica a Dra. Juliana Bagi.

Ela ressalta que o autismo é uma condição multifatorial, com grande carga genética envolvida. “A dieta não é o único fator. Infecções na gestação, uso de medicamentos, exposição a toxinas e até o estresse crônico também podem influenciar.”



O que incluir na dieta?

A Dra. Juliana lista os principais elementos que devem estar presentes na alimentação da gestante:
                •             Ácido fólico: essencial para o fechamento do tubo neural e desenvolvimento cerebral.
                •             Vitamina D: importante para imunorregulação e saúde neurológica.
                •             Ômega-3 (DHA): encontrado em peixes de água fria, ajuda na formação das membranas cerebrais.
                •             Zinco e magnésio: contribuem para a neuroplasticidade.
                •             Fibras e probióticos: ajudam a manter o equilíbrio da microbiota intestinal, que pode influenciar a saúde neurológica do bebê.


Alerta sobre ultraprocessados e deficiências nutricionais

O estudo também relaciona maior consumo de alimentos industrializados, refrigerantes e carnes processadas a um aumento no risco de alterações neurológicas.

“Uma alimentação pobre em nutrientes pode favorecer processos inflamatórios, estresse oxidativo e desregulação hormonal — todos eles potenciais fatores de risco para o desenvolvimento de distúrbios do neurodesenvolvimento”, afirma a obstetra.



A Dra. Juliana Bagi reforça: “Cuidar da alimentação é um ato de amor e prevenção, mas precisamos lembrar que o autismo envolve fatores que vão além da nutrição. A culpa nunca deve recair sobre a mãe.”

A pesquisa reforça um princípio já bem estabelecido: o pré-natal vai muito além de exames e consultas. Ele também passa pela consciência alimentar e pelo cuidado com o corpo e a mente durante a gestação.
 

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SARAH MONTEIRO DE CARVALHO
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