O projeto “Batuco e Danço” promove atividades que aproximam os estudantes aos ritmos e danças afro-brasileiras e ainda possibilitam, a cada encontro, uma reflexão sobre questões como racismo e diversidade cultural
Brasília (DF), 26 de março de 2025 – Durante os meses de março e abril, escolas públicas do Distrito Federal recebem oficinas gratuitas de percussão e dança para crianças e adolescentes de oito a 12 anos. A iniciativa é do Coletivo Educação Pela Arte (CEPA), com o projeto “Batuco e Danço, viabilizado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC) e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa. As atividades começaram o dia 20 de março, na Escola Parque Anísio Teixeira, em Ceilândia e seguem até 8 de abril na EP Asa Sul, Plano Piloto. As próximas apresentações acontecem no dia 31 de março (segunda-feira) nas escolas EC Vila do Boa, São Sebastião (matutuino) e EC Agrovila, São Sebastião (vespertino).
As oficinas são conduzidas por uma equipe composta por professores, dançarina, músicos e arte-educadores, incluindo Isabella Rovo, Nelson Latif, Sandro Alves, Ismael Rattis e Marcelo Lima. A cada encontro, os estudantes têm contato com ritmos tradicionais da cultura afro-brasileira, como samba de roda, coco, catira e frevo, além de atividades de coordenação motora e expressão artística. A programação se encerra com uma apresentação interativa, que reúne alunos, artistas e educadores.
De acordo com Isabella Rovo, arte-educadora e responsável pela oficina de dança, nesta edição, a ênfase está nas danças coletivas. “Queremos despertar a socialização lúdica, que tem se perdido nas últimas gerações. Além disso, buscamos incentivar a convivência e a expressão individual e em duplas, resgatando o caráter coletivo da infância”, explica.
Experiência de socialização O projeto também visa propiciar às crianças e adolescentes uma experiência cognitiva e sensorial alternativa, diferente das telas que estão habituadas no cotidiano, para despertar encantamento pela dança, ritmo e brincadeiras coletivas. “Eles experimentam a comunicação gestual, o olho no olho e passam a ter o entendimento do seu momento de entrar e sair da roda como protagonistas e da importância de somar na roda, no coro e nas palmas como parte do jogo", explica Isabella. Na avaliação da artista, essas vivências, que exigem o contato físico e o olhar direto, são fundamentais para promover a desinibição, a socialização e a inclusão no jogo. “É tudo muito dinâmico, onde o jogo de ritmo e o movimento corporal são vivenciados de forma integrada e coletiva”, destaca Isabella.
Outro aspecto relevante do projeto é a reflexão sobre a força da herança africana e sua influência nos ritmos e danças no Brasil. “A cultura afro-brasileira é parte obrigatória dos currículos escolares, mas ainda não é devidamente abordada nas escolas da rede pública de ensino. Nosso projeto propicia essa experiência de forma lúdica e prática”, afirma Nelson Latif, violonista e um dos idealizadores do projeto.
A edição de 2025 trará novas reflexões, incluindo debates sobre racismo, diversidade cultural e a importância da música como elemento formador de cidadãos críticos. “Esse formato proporciona um olhar mais crítico e reflexivo sobre a música como um elemento formador de um cidadão, sempre adaptado à faixa etária dos alunos”, explica Ismael Rattis, percussionista.
O percussionista Sandro Alves enfatiza que as visitas às escolas criam uma conexão única entre os artistas e os alunos. "A maneira como cada criança se expressa, seja pela música ou pela dança, revela muito sobre sua personalidade. Percebendo essa individualidade, buscamos oferecer atividades que a façam sentir-se à vontade e livres para se expressar”, afirma
Marcelo Lima, violonista, enfatiza o impacto positivo do projeto. “Nosso objetivo é proporcionar uma experiência artística que, muitas vezes, é inédita para as crianças das regiões periféricas. O contato com instrumentos e movimentos de dança gera uma transformação significativa em suas vidas”, finaliza.
Licenciada em Artes pela UnB, é educadora e brincante, com foco nas danças tradicionais brasileiras. É coordenadora do Núcleo de Artes do Ponto de Cultura COEPI.
Percussionista e mestrando em Música na UnB, já percorreu o Brasil ministrando oficinas de percussão pelo projeto Eu Faço Cultura.
Violonista e bandolinista. Foi professor da Escola de Música de Brasília e da Escola de Choro Raphael Rabello.
Músico, sociólogo e gestor cultural, é um dos fundadores do Coletivo Educação pela Arte.
Percussionista carioca radicado em Brasília, iniciou sua vida musical como ritmista Escola de Samba Tradição. Ministra workshops de percussão no Brasil e exterior.