Endometriose e dor pélvica: entenda as diferenças, sintomas e tratamentos

LARISSA BORGES
24/03/2025 11h59 - Atualizado há 3 dias
Endometriose e dor pélvica: entenda as diferenças, sintomas e tratamentos
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A dor pélvica é um sintoma que pode estar associado a diversas condições, sendo a endometriose uma das principais causas, representando 75% dos casos, conforme destacado pelo Dr. Carlos Romualdo Gama, oncoginecologista do Hospital São José. A doença apresenta sintomas inespecíficos, como dor pélvica crônica, sangramento uterino anormal e, em alguns casos, infertilidade, o que frequentemente dificulta o diagnóstico precoce.

Em relação à fertilidade, a doença pode interferir em todas as etapas da concepção, desde a maturação do óvulo até a implantação do embrião. No entanto, o Dr. Romualdo ressalta que "nem toda mulher que tem endometriose tem infertilidade". Ele explica que, em mulheres submetidas à cirurgia para tratamento da doença, cerca de 40% engravidam espontaneamente no primeiro ano após o procedimento, o que é chamado de "janela de fertilidade".

Outras causas de dor pélvica incluem sequelas de infecções pélvicas, doenças do trato urinário (como cistites crônicas), problemas musculoesqueléticos e neuropatias. No entanto, a endometriose é a causa mais comum e não deve ser negligenciada.

O diagnóstico é realizado por meio de anamnese, exame físico e exames de imagem especializados, como ultrassom transvaginal e ressonância magnética. O Dr. Romualdo ressalta que "a dismenorreia (cólica menstrual) é o principal sintoma. Sentir cólica menstrual não é normal, ao contrário do que diz a sabedoria popular". Ele explica que mulheres que classificam a dor menstrual com nota superior a 7, em uma escala de 0 a 10, têm grandes chances de terem endometriose. Outros sintomas incluem dispareunia (dor durante a relação sexual) e disquesia (dor ao evacuar). Além disso, a doença pode causar dores lombares, alterações urinárias, sangramentos anormais e impactos emocionais, como ansiedade e depressão, interferindo significativamente no dia a dia da mulher.

O tratamento da endometriose varia conforme a gravidade dos sintomas e o impacto na qualidade de vida. O médico explica que "o único tratamento adequado é a cirurgia especializada", mas nem todas as pacientes são candidatas à intervenção cirúrgica. As indicações para cirurgia incluem sintomas incapacitantes que afetam a qualidade de vida, comprometimento de órgãos nobres (como intestino, bexiga ou ureteres) e infertilidade. Para pacientes que não se enquadram nesses critérios, o tratamento pode ser clínico, com uso de terapia hormonal (como pílulas ou progesteronas) e analgésicos. No entanto, o especialista alerta que "os hormônios não curam a doença, mas melhoram os sintomas".

A comorbidade pode ser confundida com outras condições ginecológicas ou não ginecológicas que também causam dor pélvica, sangramento ou infertilidade. O oncoginecologista enfatiza que "qualquer causa de dor, sangramento ou infertilidade pode mimetizar uma endometriose", destacando a importância de um diagnóstico realizado por especialistas.

Infelizmente, não há medidas preventivas para evitar o surgimento da endometriose. No entanto, o especialista sugere que "vida saudável, dieta balanceada e anti-inflamatória, controle de peso, exercícios físicos regulares, ou seja, saúde física e mental, são talvez o melhor e mais eficiente antídoto para uma vida com menores chances de doenças".
 

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LARA BORGES AZEVEDO
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