O que as escolas brasileiras podem fazer para adequar o ensino às novas realidades?
PIAR GROUP
31/01/2025 09h20 - Atualizado há 2 meses
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*Por Maria Xavier De acordo com dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2023, divulgados recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), o Brasil registrou uma ligeira em algumas etapas de ensino da educação básica, porém não de maneira uniforme em todo o território nacional, e ainda se mantém distante das metas para os anos finais do ensino fundamental e ensino médio. Esse cenário é resultado, principalmente, da falta de investimentos contínuos no setor, políticas educacionais mais efetivas, desigualdades regionais e das diversas transformações que ocorreram nos últimos anos na sociedade e mudaram a forma como as pessoas se relacionam com os estudos.
Como aponta um relatório da consultoria Gartner, o avanço das novas tecnologias também está influenciando o futuro da educação, e é importante que os agentes do setor se atentem a essas ferramentas e as utilizem para criar uma boa grade curricular, identificando as competências que precisam ser incluídas nos programas de ensino e novas demandas que surgirão a partir delas. No ensino público, por exemplo, o Governo Federal criou, em setembro de 2023, a Estratégia Nacional Escolas Conectadas, com a promessa de universalizar o acesso à internet nas 138,3 mil escolas públicas brasileiras até 2026.
Após a pandemia, houve um crescimento do Ensino à Distância, visto que era a única forma dos estudantes continuarem suas jornadas de aprendizado. Com o passar dos anos, esse modelo foi se estabelecendo cada vez mais. Segundo informações do Censo da Educação Superior, em 2022, o número de ingressantes no ensino superior na modalidade EaD foi o dobro daqueles na modalidade presencial.
Porém, mesmo com a sua popularização, há dúvidas se a forma como a modalidade está sendo oferecida e praticada atualmente pelas instituições de ensino é realmente efetiva. Prova disso foi o anúncio do MEC, em junho deste ano, de que estava suspendendo até março de 2025 a criação de novos cursos de graduação na modalidade de Ensino a Distância. Essa decisão faz parte do processo de revisão do marco regulatório do EaD, cujo objetivo é assegurar a sustentabilidade e qualidade dos cursos de graduação ofertados neste modelo.
A grande dúvida atual é como as escolas brasileiras podem adequar o ensino a essas novas realidades. Para isso, precisam integrar tecnologias educacionais, capacitando também os professores para que saibam utilizá-las, e analisar as competências que serão mais demandadas no mercado de trabalho, aproveitando essas informações para guiar a formação docente e adequar os currículos para garantir que os alunos adquiram esses conhecimentos essenciais.
Por fim, também precisamos cobrar do governo e das empresas por mais investimentos na área e a criação de projetos focados em combater os desafios relacionados a desigualdade social, que impedem as populações mais vulneráveis de ter acesso a uma educação de qualidade – que, vale ressaltar, é a base principal para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e igualitária.
*Maria Xavier é Gestora de Educação da Fluencypass, empresa que oferece o ciclo completo da fluência em inglês. Com especialização em Tecnologias Aplicadas à Educação pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é educadora especializada em educação básica.
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Gabriela Calencautcy
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