Caso do avião: uma aula sobre a educação midiática

ANA BORGES
17/12/2024 10h53 - Atualizado há 3 meses
Caso do avião: uma aula sobre a educação midiática
Divulgação
Por Lilian Carvalho (*)
 

Uma situação constrangedora, mas nem tão incomum assim, virou notícia nos principais canais de TV e tornou uma completa desconhecida em influencer e garota propaganda de uma grande varejista. Eis o caso da mulher que não cedeu o lugar à criança no avião e que viralizou na Internet. Enquanto a bancária Jeniffer Castro foi aplaudida pelos brasileiros e passou a ter mais de 2 milhões de seguidores, a mãe da criança, Aline Rizzo, foi execrada. Mas o pior é que nenhuma das duas mulheres teve culpa da situação. A filmagem foi feita por uma  terceira pessoa, Eluciana Cardoso, e publicada nas redes sociais por sua filha. Ninguém tinha noção do que viria a ocorrer.

Esse caso ilustra como a exposição nas redes sociais é uma questão extremamente delicada e repleta de nuances legais e éticas. Primeiramente, é essencial que as pessoas compreendam que ao compartilhar informações ou imagens de terceiros sem consentimento estão entrando em um território legalmente perigoso. A privacidade é um direito fundamental, e a violação desse direito pode resultar em processos judiciais e danos à reputação.

As redes sociais são plataformas poderosas que amplificam vozes, mas também podem trazer consequências negativas muito maiores do que o previsto. É crucial que as pessoas entendam que, ao postar algo, estão potencialmente expondo essa informação para um público global. O que pode começar como uma situação local ou pessoal pode rapidamente ganhar uma dimensão sem tamanho.

Para evitar problemas como o atual, é preciso que se busque o consentimento dos envolvidos na situação, o que na hora da emoção geralmente é esquecido. Ora, quem vai parar o “barraco” para dizer, você me dá permissão explícita para compartilhar informações ou imagens? Esquecer desse detalhe, entretanto, é correr riscos. Afinal, pedir permissão não é apenas uma questão de cortesia, mas também de proteção legal.

Outra questão importante que precisamos estar atentos está relacionada à veracidade e precisão das informações antes de compartilhar, pois a disseminação de uma inverdade, como se fosse algo verdadeiro, pode causar danos significativos e resultar em ações legais. Quando as pessoas assistiram ao vídeo que mencionamos acima, por exemplo, acreditaram que tinha sido feito pela própria mãe da criança e, por isso, crucificaram seu comportamento em rede nacional.

A educação midiática deve ser sempre calcada no respeito. Antes de qualquer coisa, o internauta precisa considerar qual será o impacto que a exposição pode ter sobre a vida das pessoas envolvidas. A empatia e o respeito devem ser guias não só na vida real, mas na virtual também. Ao postar, pergunte-se para que fazer isso com o outro? Você gostaria de ter essa exposição?

Um último e talvez o mais importante conselho a ser dado para quem gosta de “lacrar” nas redes sociais com polêmicas ou vídeos que podem ser engraçados para os outros que não estão envolvidos: esteja ciente de que ações nas redes sociais podem ter repercussões duradouras. Pense nas possíveis consequências antes de postar.

As redes sociais devem ser o espelho do que somos fora da Internet. No dia a dia, sabemos que nossas ações têm consequência e por isso nos privamos de certas ações. O problema é que as pessoas não enxergam dessa forma, pois ainda falta educação midiática. É importante que as pessoas se eduquem sobre o funcionamento das redes sociais e as implicações legais de suas ações online. Isso inclui entender os termos de serviço das plataformas e as leis de privacidade aplicáveis.

Lidar com as redes sociais de forma responsável requer consciência e cuidado. É fundamental que, enquanto sociedade, resgatemos uma cultura de respeito e responsabilidade digital.

(*) Lilian Carvalho é PhD em Marketing e coordenadora do Centro de Estudos em Marketing Digital da FGV/EAESP e fundadora da Método Lumière


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ANA IRISMAR RODRIGUES BORGES BATISTA
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