Big techs perdem quase R$ 4,8 trilhões e acendem alerta sobre bolha da IA
As maiores empresas de tecnologia do mundo perderam quase R$ 4,88 trilhões em valor de mercado após divulgarem resultados financeiros
As maiores empresas de tecnologia do mundo perderam quase US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,88 trilhões) em valor de mercado após divulgarem resultados financeiros que reforçaram as preocupações com os custos da corrida pela inteligência artificial (IA). Mesmo diante da reação negativa dos investidores, gigantes, como Amazon, Google, Meta e Microsoft, mantiveram planos de ampliar os investimentos em chips e data centers. O movimento provocou nova onda de vendas de ações nesta sexta-feira (30). Os papéis da Intel chegaram a cair 29,65% na abertura da Nasdaq. Amazon, Nvidia e Alphabet, controladora do Google, também registraram perdas. Na quinta-feira (29), a Alphabet já havia sofrido desvalorização superior a 13%, eliminando cerca de US$ 500 bilhões (R$ 2,71 trilhões) de seu valor de mercado. O cenário aumenta os temores de que a valorização das empresas ligadas à inteligência artificial (IA) esteja apoiada em expectativas difíceis de sustentar. O Futurism destacou que a queda das ações reflete dúvidas sobre a capacidade das gigantes de transformar os investimentos em infraestrutura em receitas suficientes. Um dos principais problemas está no aumento acelerado dos gastos. Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram juntas seus investimentos de capital de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões (cerca de R$ 1,12 trilhão) em um ano. A maior parte dos recursos foi destinada à compra de chips e à construção de data centers. Mesmo com a reação negativa do mercado, as empresas projetam gastar outros US$ 232 bilhões (R$ 1,26 trilhão) no quarto trimestre. Com isso, os investimentos de capital das companhias podem alcançar US$ 740 bilhões (R$ 4,01 trilhões) em 2026. Gastos com IA começam a pressionar o caixa Até recentemente, as gigantes de tecnologia conseguiam financiar boa parte de seus projetos com o próprio fluxo de caixa. Agora, algumas delas passaram a registrar resultados negativos nessa métrica, indicando que os desembolsos superaram o dinheiro gerado pelas operações; Google, Meta e Amazon, por exemplo, geraram juntas US$ 36,4 bilhões (R$ 197,3 bilhões) em fluxo de caixa livre no terceiro trimestre de 2025. No mesmo período deste ano, porém, as três empresas queimaram US$ 45,2 bilhões (R$ 245 bilhões); A Amazon foi a que mais sentiu o impacto. A companhia registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 33,5 bilhões (R$ 181,6 bilhões), depois de elevar seus investimentos de capital ao recorde de US$ 75,8 bilhões (R$ 411 bilhões); A empresa também informou que as vendas de serviços em nuvem da Amazon Web Services (AWS) cresceram 39%, alcançando US$ 46 bilhões (R$ 249,3 bilhões). O avanço, entretanto, não foi suficiente para tranquilizar os investidores. As ações chegaram a cair 7% após a divulgação dos resultados, eliminando quase US$ 200 bilhões de seu valor de mercado; No caso do Google, o fluxo de caixa livre passou de US$ 24,5 bilhões (R$ 132,8 bilhões) positivos um ano antes para US$ 9,1 bilhões (R$ 49,3 bilhões) negativos no terceiro trimestre de 2026. Os investimentos de capital da companhia superaram US$ 50 bilhões (R$ 271 bilhões). Leia mais: China chama acusações de espionagem contra CEO da Nvidia de falsas Meta deixa julgamento sobre vício em redes sociais; Snapchat segue como único réu Binance garante segurança de brasileiros após ataque de R$ 33 bi Além dos gastos, a empresa enfrenta dificuldades para transformar seus novos recursos de IA em receita publicitária equivalente à gerada pelo mecanismo tradicional de buscas. Executivos reconheceram que o Google não consegue colocar novos data centers em operação com rapidez suficiente para atender à demanda. Amazon foi a que mais sentiu o impacto – Imagem: Shreyas Hirlekar/Shutterstock A Meta também registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,4 bilhões) no terceiro trimestre, seu primeiro resultado negativo desde a abertura de capital, em 2012. A empresa investiu US$ 35 bilhões (R$ 189,8 bilhões) no período e mantém a previsão de chegar a US$ 145 bilhões (R$ 786,4 bilhões) em investimentos de capital ao longo do ano. A Microsoft foi uma exceção. Apesar de elevar os gastos para US$ 45,2 bilhões (R$ 245,1 bilhões), a companhia ainda gerou US$ 18,6 bilhões (R$ 100,9 bilhões) em caixa no trimestre. Suas ações também sofreram reação mais moderada após a divulgação dos resultados. Investidores começam a cobrar retorno A preocupação do mercado não está necessariamente no crescimento das empresas, mas na capacidade de sustentar investimentos cada vez maiores sem comprometer a saúde financeira dos negócios. Brent Thill, analista da Jefferies, afirmou que os investidores ficaram assustados com resultados positivos, mas que não foram excepcionais diante das expectativas. Ele também apontou limitações físicas para a construção de infraestrutura como um possível obstáculo à expansão das empresas. Brad Reback, analista da Stifel, avaliou que o mercado está mais exigente e quer provas de que os investimentos em infraestrutura de IA estão efetivamente gerando novas receitas. A pressão também tem levado as empresas a buscar outras fontes de financiamento. A Alphabet assumiu dezenas de bilhões de dólares em dívidas e anunciou planos de levantar cerca de US$ 85 bilhões (R$ 460,7 bilhões) em sua primeira emissão de ações em mais de duas décadas. A Meta, por sua vez, apresentou plano de emissão de ações de US$ 95 bilhões (R$ 514,9 bilhões), com apoio das fabricantes de chips Nvidia, AMD e Broadcom. Temor de contágio entre empresas menores A turbulência também pode atingir companhias menores que dependem de empréstimos para financiar a construção de data centers e a compra de equipamentos. É o caso das chamadas neoclouds, empresas especializadas em oferecer infraestrutura de computação em nuvem para IA. Uma delas é a CoreWeave, que enfrenta atrasos em projetos e cancelamentos de contratos. As ações da companhia caíram 47% nos últimos seis meses, enquanto parte de sua dívida passou a ser negociada em patamares associados a ativos problemáticos. O cenário preocupa porque essas empresas dependem de financiamento para continuar expandindo sua infraestrutura. Com investidores mais cautelosos, o acesso a novos recursos pode ficar mais difícil. O Futurism também destaca que o modelo de expansão baseado em enormes data centers, com alto consumo de energia e investimentos bilionários, está sendo questionado diante de alternativas que utilizam modelos de IA mais eficientes e baratos. Por enquanto, ainda não é possível afirmar que a bolha da IA estourou. Mas a reação do mercado mostra que, para as gigantes de tecnologia, já não basta prometer avanços na área: os investidores querem ver resultados financeiros que justifiquem o tamanho da aposta. O post Big techs perdem quase R$ 4,8 trilhões e acendem alerta sobre bolha da IA apareceu primeiro em Olhar Digital.
FONTE: https://olhardigital.com.br/2026/10/30/pro/big-techs-perdem-quase-r-4-8-trilhoes-e-acendem-alerta-sobre-bolha-da-ia/