Mesmo em meio à intensa urbanização, São Paulo abriga mais de 1,4 mil espécies de animais silvestres, segundo o Inventário da Fauna Silvestre do Município. Desse total, mais de 220 estão ameaçadas de extinção, o equivalente a cerca de 15% dos registros. Parques, fragmentos de Mata Atlântica, bosques, corredores verdes e corpos d’água são fundamentais para a sobrevivência dessa biodiversidade na capital.
O trabalho de proteção também envolve o atendimento aos animais. Desde 2021, a Divisão de Fauna Silvestre (DFS), vinculada à Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), recebeu mais de 56 mil exemplares. Nesse período, aproximadamente 8,7 mil foram reabilitados, mais de 22 mil retornaram à natureza e cerca de 1,1 mil foram encaminhados de volta aos seus habitats de origem. Em 2025, o serviço recebeu mais de 13 mil animais; até julho de 2026, foram quase 7 mil.
A fauna paulistana inclui gambás, bugios, saguis, corujas, tucanos, garças, serpentes, sapos, pererecas, lagartos e diversas espécies de insetos. De acordo com o inventário municipal, cerca de 860 espécies registradas são vertebrados, como aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. Outras aproximadamente 600 são invertebrados, entre moluscos, aracnídeos e insetos. A conexão entre áreas verdes favorece o deslocamento dos animais e contribui para a manutenção de seus habitats.
A convivência com esses animais exige alguns cuidados. Nem todo exemplar encontrado em quintais ou jardins precisa ser resgatado: se estiver saudável e não apresentar sinais de perigo, a orientação é manter distância e permitir que siga seu caminho, sem tentar capturá-lo ou alimentá-lo. Filhotes de aves também não devem ser recolhidos sem orientação técnica, pois podem estar sob os cuidados dos pais. Para orientar a população, a Prefeitura e o Instituto Ampara Silvestre elaboraram o Manual Cidade Amiga da Fauna, que reúne recomendações para proteger habitats e reduzir ameaças como atropelamentos, colisões contra vidros, poluição sonora, iluminação artificial e contato com animais domésticos.
Quando há ferimentos, debilidade ou risco, os animais podem receber atendimento especializado, com exames, medicamentos, cirurgias e alimentação específica, conforme a necessidade. Após a recuperação, passam por avaliação e, quando aptos, são soltos em áreas adequadas à espécie. Aqueles que não podem retornar à vida livre são encaminhados a instituições ou criadouros conservacionistas autorizados. A Prefeitura também mantém ações de conservação dos bugios, cuja população foi fortemente afetada pelo surto de febre amarela de 2017 e 2018. Desde 2024, esses primatas vêm sendo vacinados e soltos na região da Cantareira, com acompanhamento técnico e monitoramento.
Moradores que encontrarem animais silvestres feridos, debilitados ou em situação de risco podem entrar em contato com a Divisão de Fauna Silvestre pelo telefone (11) 3885-6669 ou pelo WhatsApp (11) 95220-0219, para receber orientações sobre atendimento e resgate. A GCM Ambiental pode ser acionada pelo telefone 153 em situações que exigem resgate. Denúncias de criação inadequada ou manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro podem ser encaminhadas pelos canais oficiais da Prefeitura ou pelo telefone 156. O serviço da DFS atende exclusivamente animais silvestres, não recebendo animais domésticos, exóticos ou de criação.