Centro de Referência do Idoso no Anhangabaú ultrapassa 10,6 mil atendimentos com foco em oficinas artísticas e convivência

Espaço municipal atende pessoas acima de 60 anos com atividades cognitivas e culturais; estudos indicam benefícios de práticas criativas contra o envelhecimento cerebral.

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Imagem: Mileide Alcantara / SMADS - Prefeitura de SP

Localizado no Anhangabaú, na região central da capital, o Centro de Referência do Idoso (CRECI) realizou 10.616 atendimentos entre janeiro e julho de 2026, representando um aumento superior a 400 pessoas em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. A unidade funciona de segunda a sexta-feira para munícipes com idade a partir de 60 anos, com direcionamentos intermediados pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). A programação é dividida em turnos diários de quatro horas e abrange práticas corporais, de musicalidade, estimulação cognitiva e letramento digital.

No âmbito municipal, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) dispõe de 161 serviços direcionados à terceira idade, totalizando mais de 18 mil vagas. A rede é distribuída entre Núcleos de Convivência do Idoso (NCI), Centros Dia, Instituições de Longa Permanência (ILPI), Centros de Acolhida e unidades especializadas, com entradas viabilizadas por CRAS, CREAS e Centros POP. Atualmente, o público idoso compõe cerca de 17% dos acolhidos da assistência social no município, com maioria masculina, inseridos majoritariamente em razão da fragilização de laços familiares e de demandas de assistência contínua.

Entre as iniciativas do CRECI, destaca-se o grupo de contadores de histórias, em atividade desde 2011 sob coordenação da oficineira Cleusa Santo, de 72 anos, presente no espaço desde 2008. Os participantes reúnem-se às quartas-feiras para o aprendizado e ensaio de lendas, contos e parlendas, promovendo integração comunitária e estímulo à memória, além de atuarem na encenação de peças de teatro locais, como relata o frequentador Luiz Sousa, de 90 anos.

A atuação de oficinas artísticas e narrativas encontra respaldo científico: pesquisa internacional publicada em 2025 pelo periódico Nature Communications, envolvendo 1.402 participantes em 13 nações, concluiu que a execução de atividades criativas desacelera o envelhecimento biológico do cérebro. A constatação demonstrou que experiências desse perfil fortalecem a eficiência e a conectividade das redes neurais, auxiliando na retenção de memória, na capacidade de concentração e na manutenção da autonomia intelectual dos idosos.