Rodas de conversa orientam mães em situação de vulnerabilidade sobre amamentação

Iniciativa realizada em centro de acolhida reúne informações e troca de experiências sobre aleitamento materno

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Imagem: Jennyfer Reis / SMADS - Prefeitura de SP

O Centro de Acolhida Especial para Gestantes, Puérperas e Filhos até Seis Anos, gerido pela Amparo Maternal em cooperação com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), completou um ano de realização de rodas de conversa voltadas ao incentivo do aleitamento materno. A condução é feita de maneira voluntária por Luciana Kiomi, líder credenciada da organização sem fins lucrativos La Leche League no Brasil. Os encontros funcionam como espaço de escuta qualificada e utilizam ferramentas lúdicas e recursos visuais traduzidos em diversos idiomas para acolher um público heterogêneo formado por imigrantes, usuárias de substâncias químicas e mulheres em situação de rua.

O projeto soma-se às ações de resgate da autonomia desenvolvidas na unidade, que desde 2021 já efetuou 1,5 mil acolhimentos a gestantes e puérperas vulneráveis. Do montante atendido, cerca de 45% (mais de 540 acolhidas) alcançaram as chamadas "saídas qualificadas", caracterizadas pelo direcionamento para moradia definitiva, inserção no mercado profissional ou reatamento de laços familiares, tendo a amamentação papel relevante na recuperação da autoconfiança dessas mães.

Durante as sessões, são esclarecidas dúvidas frequentes sobre o processo de aleitamento. Entre as principais orientações, destaca-se que a dor não faz parte da amamentação normal, decorrendo comumente de posicionamento ou pega inadequada do bebê na mama. Quanto à produção láctea, a especialista aponta indicativos clínicos de suficiência nas primeiras semanas de vida, como a regularidade de três ou mais evacuações diárias, a frequência habitual de 8 a 12 mamadas ao dia e, principalmente, a evolução ponderal aferida no acompanhamento pediátrico de rotina, devendo sinais como sonolência excessiva, letargia e urina concentrada serem examinados por médicos.

O suporte também reforça as vantagens biológicas e emocionais do aleitamento materno. A prática colabora na redução do risco de enfermidades na infância — como infecções de ouvido e problemas respiratórios — e atua na prevenção crônica futura de diabetes, obesidade e asma, aliada ao estímulo neurológico e digestivo da criança. Por fim, as orientações contemplam mitos sobre mordidas na fase de dentição, ressaltando a mecânica de sucção da língua que impede ferimentos enquanto o bebê mama ativamente, além de reiterar a diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a oferta exclusiva de leite materno até os seis meses e sua manutenção contínua, combinada a alimentos sólidos, até dois anos ou mais.