Na era da IA, inclusão digital deve ser crítica, defende educadora

Consultora da Unesco Daniela Costa aponta avanços e preocupações com o ensino. Ela participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI - Inteligência Artificial e o Futuro da Educação.

Por Agência Brasil
4 Min

O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregá-las nas mãos de estudantes e professores. A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil. 

Notícias relacionadas:Avanço da IA corrói financiamento do jornalismo profissional no Brasil.Lei que aumenta punição a crimes digitais contra crianças é sancionada.“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”. Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos. “Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu. Encontro de educadores A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI - Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino. Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%. Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países. Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes. “Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”. Ela lembra que o Brasil tem Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos. Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola. “Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos. “O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica. Pesquisa em vídeos Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares. O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos. “A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata. A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes. Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%). Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs. Sociedade e professores A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais. De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%. No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem. Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta. “É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou. Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”. “Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.

Todo o conteúdo é gerado pela Agência Brasil - Empresa Brasil de Comunicação

FONTE: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-08/na-era-da-ia-inclusao-digital-deve-ser-critica-defende-educadora
Notícias Relacionadas »