Projeto de São Paulo para longevidade de mulheres trans ganha o Prêmio David Capistrano
Iniciativa do Consultório na Rua em Pinheiros acolhe travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade, ampliando o acesso à saúde e à cidadania.
Imagem: Divulgação / SMS - Prefeitura de SP
O projeto “Serei A do asfalto com mais de 35 anos. Um bom par entre longevidade trans e o Consultório na Rua”, idealizado pela equipe do Consultório na Rua (eCR) do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, foi eleito um dos 20 vencedores do Prêmio David Capistrano. O reconhecimento ocorreu durante o 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP), realizado em Santos, consolidando a iniciativa como referência em saúde pública entre mais de 2.700 trabalhos inscritos.
Implementada desde 2023 na região de Pinheiros, a ação foca no atendimento integral a mulheres trans e travestis em situação de rua. O projeto nasceu para combater uma estatística alarmante: enquanto a expectativa de vida geral no Brasil é de 76,6 anos, a da população trans é de apenas 35 anos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). O nome da iniciativa homenageia a canção "Serei A", da artista Linn da Quebrada, simbolizando a resistência e a longevidade desse público.
A estratégia foi estruturada a partir de reuniões de matriciamento entre o eCR e a Unidade de Referência à Saúde do Idoso (Ursi) Geraldo de Paula Souza. No cotidiano operacional, os profissionais realizam buscas ativas nos territórios, consultas clínicas, coleta de exames e acompanhamento terapêutico. O fortalecimento de vínculos resultou em avanços expressivos, como o aumento da adesão ao tratamento de HIV — alcançando níveis de carga viral indetectável em diversas pacientes — e o sucesso no Tratamento Diretamente Observado (TDO) contra a tuberculose.
Indo além do suporte médico, a iniciativa atua na garantia de direitos civis e no resgate da cidadania das usuárias. A equipe viabiliza a retificação e regularização de documentos com o nome social, o acesso a benefícios assistenciais e o encaminhamento a programas de qualificação profissional, como o Transcidadania, da Prefeitura de São Paulo. O objetivo central é promover a autonomia e estruturar uma saída qualificada e digna da situação de vulnerabilidade extrema.