Centros de Atenção Psicossocial de São Paulo integram atendimento para imigrantes
Rede municipal adota modelo inclusivo para crianças estrangeiras e recebe premiação estadual por projeto de saúde mental multicultural.
Imagem: Acevo / SMS - Prefeitura de SP
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da capital paulista implementaram mudanças no atendimento em saúde mental voltado a famílias imigrantes. No Caps Infantojuvenil (IJ) Mooca, grupos que anteriormente eram exclusivos para o público estrangeiro foram integrados aos demais usuários. A estratégia visa facilitar a socialização e o desenvolvimento linguístico de crianças de diferentes nacionalidades, promovendo a convivência intercultural no serviço que atende cerca de 350 pacientes mensalmente.
Do total de atendimentos realizados na unidade da Mooca, aproximadamente 170 casos referem-se ao transtorno do espectro autista (TEA), sendo 60 deles crianças de origem boliviana. O acompanhamento é realizado por equipes multiprofissionais que desenvolvem projetos terapêuticos singulares baseados nas demandas específicas de cada paciente. Relatos de familiares indicam progressos na interação social e no desempenho escolar das crianças após o início do tratamento integrado, que também oferece rede de apoio aos pais.
O modelo de cuidado da rede municipal articula a atuação de psicólogos, assistentes sociais e fonoaudiólogos com as escolas e demais serviços do território. Essa integração é aplicada inclusive em casos de alta complexidade, como o de crianças vindas de territórios em conflito que apresentam quadros de estresse pós-traumático. A gestão municipal compreende a saúde mental como um processo influenciado por fatores sociais e psicológicos que são trabalhados de forma indissociável da experiência migratória.
Em reconhecimento a essas práticas, o Caps IJ III Vila Maria/Vila Guilherme recebeu um prêmio no 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde de São Paulo (Cosems/SP), realizado em abril de 2026. O projeto premiado utiliza métodos intersetoriais, como grupos de musicoterapia que incorporam elementos da cultura de origem e a disponibilização de materiais informativos em castelhano. A iniciativa busca fortalecer o vínculo familiar e garantir o acesso qualificado à informação para populações bilíngues.