A cidade de São Paulo inaugurou nesta terça-feira (31) a Linha 17-Ouro (monotrilho), estabelecendo a primeira ligação direta sobre trilhos ao Aeroporto de Congonhas. O novo ramal, que recebeu investimento de R$ 5,97 bilhões, possui 6,7 quilômetros de extensão e oito estações em sua fase inicial, conectando o aeroporto às linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás. A obra, retomada em 2023, deve transportar cerca de 100 mil passageiros por dia quando atingir a operação plena, prevista para outubro de 2026.
Durante a cerimônia, o prefeito Ricardo Nunes destacou o impacto das obras de mobilidade na capital. “Nós estamos tendo uma revolução no transporte sobre trilhos na cidade de São Paulo. E isso se soma às ações que temos em conjunto com o Governo do Estado, como os BRTs Radial Leste e Aricanduva, que estão em obra, e a reformulação dos corredores que a gente está fazendo”, afirmou. O prefeito também mencionou projetos viários complementares, como a extensão da Avenida Roberto Marinho e o Túnel Sena Madureira.
O governador Tarcísio de Freitas ressaltou a parceria institucional e anunciou a expansão do ramal em mais 4,6 km para atender a comunidade de Paraisópolis. A expansão autorizada prevê quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis, ampliando a capilaridade do sistema na Zona Sul.
Nesta fase inicial de operação assistida, os trens circulam de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, com tempo de espera entre 7 e 14 minutos. Sete estações estão abertas ao público: Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas. A estação Washington Luís será integrada ao sistema em junho, após a inserção de novas composições na frota, que utiliza trens tecnológicos de fabricação chinesa com operação automática (sem condutor).
A integração do novo modal será reforçada a partir de sábado (4) com a criação da linha de ônibus circular 776M-10 (Term. Água Espraiada/Aeroporto), operada pela Viação Gatusa. A nova linha de ônibus terá intervalos de 10 minutos nos horários de pico, conectando o monotrilho aos polos empresariais da Chucri Zaidan e Vila Cordeiro. Ambientalmente, a operação elétrica da Linha 17-Ouro deve reduzir a emissão de 25,9 mil toneladas de poluentes por ano, diminuindo a dependência do transporte individual na região.
As estações contam com infraestrutura completa de acessibilidade, incluindo elevadores, pisos táteis e sanitários adaptados, além de portas de plataforma para segurança dos usuários. O projeto também incluiu a requalificação urbana do canteiro central da Avenida Roberto Marinho, com paisagismo e conexões cicloviárias. O sistema UTO (Unattended Train Operation) e as baterias embarcadas para casos de falta de energia garantem a modernidade técnica do ramal, consolidando um avanço logístico esperado há mais de uma década.