Pesquisadores do Herbário Municipal, vinculado à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), e da Universidade Federal do ABC (UFABC) identificaram duas novas espécies de árvores em São Paulo: a Plinia longifructa e a Myrcia piratininga. A descoberta, publicada no início de 2026, é fruto de expedições realizadas no extremo sul da capital e estudos taxonômicos desenvolvidos entre 2022 e 2024. Ambas as espécies pertencem à família Myrtaceae e são consideradas raras, com ocorrência restrita a fragmentos preservados da Mata Atlântica.
A Plinia longifructa, encontrada no Parque Natural Municipal Varginha, pode atingir 20 metros de altura e possui frutos alongados, característica que motivou seu nome científico. Já a Myrcia piratininga, coletada na RPPN Sítio Curucutu, apresenta um hábito escandente (cresce apoiada em outras plantas) e recebeu esse nome em homenagem à denominação histórica da cidade, São Paulo dos Campos de Piratininga. Até o momento, a população registrada dessa espécie é reduzida, o que reforça o estado de raridade da planta.
O trabalho de inventário da flora paulistana é realizado pelo Herbário Municipal desde sua criação, em 1984. Atualmente, o município registra mais de 5 mil espécies de plantas, sendo 3.500 nativas. Dessas, 214 estão listadas como ameaçadas de extinção em nível estadual ou nacional. A identificação de novas espécies em um ambiente urbano denso como São Paulo destaca a importância das áreas de proteção ambiental no extremo sul da cidade para a conservação da biodiversidade global.
Esses achados científicos atualizam o conhecimento botânico iniciado por naturalistas no século XIX e demonstram que a capital paulista ainda abriga segredos biológicos em seus remanescentes de floresta. A descrição das novas espécies contribui para o fortalecimento de políticas públicas de preservação e para o monitoramento de um dos biomas mais ameaçados do planeta, o que coloca o trabalho técnico da SVMA em destaque no cenário científico nacional.