A cidade de São Paulo registrou, em 2025, o nono ano consecutivo de queda nos novos casos de HIV, acumulando uma redução de 56% desde 2016. Segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), as notificações anuais caíram de 3.761 para 1.662 no período. A taxa de detecção por 100 mil habitantes também apresentou recuo de 57,5%, mesmo com o aumento no volume de testagens na capital, que superou 545 mil testes rápidos realizados no último ano.
A queda foi mais acentuada entre o público masculino, com redução de 58,8% no total de casos, destacando-se a faixa etária de 15 a 24 anos, onde o recuo atingiu 65%. Entre as mulheres, a diminuição foi de 40,4%. Autoridades de saúde associam esses resultados à expansão da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que conta com 80 mil usuários cadastrados, e à implementação de estratégias descentralizadas, como unidades itinerantes e canais de telemedicina pelo aplicativo e-saúdeSP.
A rede municipal também consolidou avanços no tratamento, com 96% dos pacientes apresentando supressão viral, condição que impede a transmissão do vírus. São Paulo mantém ainda o certificado de eliminação da transmissão vertical do HIV (de mãe para filho), registrando em 2025 uma taxa de apenas 0,02 por mil nascidos vivos. O monitoramento contínuo das gestantes é apontado como fator decisivo para a manutenção deste índice abaixo dos limites de certificação.
Iniciativas de acesso direto, como máquinas automáticas de retirada de medicamentos em estações de metrô e armários de autoteste em centros culturais, buscam reduzir barreiras para populações vulneráveis. Em 2025, o programa "PrEP na Rua" realizou mais de 1.300 edições em locais de grande circulação.
De acordo com a coordenadora de IST/Aids, Cristina Abbate, o foco atual é ampliar o conhecimento sobre métodos preventivos para fortalecer a autonomia e o autocuidado da população.