Especialistas explicam como médicos brasileiros podem atuar nos EUA após mudanças no licenciamento

Com déficit estimado de até 86 mil médicos em dez anos, Texas e Flórida criaram requisitos alternativos para permitir a atuação de profissionais formados no exterior.

DEIVIANNE JHASPER
11/02/2026 16h54 - Atualizado há 1 mês

Especialistas explicam como médicos brasileiros podem atuar nos EUA após mudanças no licenciamento
Bruno Lossio, Hugo Serri e Henrique Scliar são advogados especialistas em imigração e mobilidade global. Fonte: Divulgação/Arquivo pessoal
Com déficit crescente de profissionais de saúde e envelhecimento acelerado da população, os estados americanos do Texas e da Flórida reformulam regras de licenciamento e passaram a enxergar médicos formados no exterior como parte da solução.

Dados da Association of American Medical Colleges (AAMC) indicam que os Estados Unidos podem enfrentar um déficit de até 86 mil médicos até 2036, com maior impacto na atenção primária, especialidades cirúrgicas, anestesiologia, neurologia, radiologia e psiquiatria. Diante desse cenário, estados como Flórida e Texas começaram a adotar medidas que ampliam o acesso de médicos formados no exterior ao mercado de trabalho local, incluindo brasileiros.


O Texas sancionou, em 2025, a House Bill 2038 (DOCTOR Act), que permite a médicos formados no exterior atuarem no estado com licença provisória e sem a exigência de refazer a residência nos EUA, desde que tenham uma oferta de emprego. A medida responde à projeção de déficit de cerca de 10 mil médicos até 2032.

“Os Estados Unidos continuam rigorosos na política migratória, mas estão sendo pragmáticos. Quando faltam médicos para atender a população, o país passa a olhar com mais atenção para profissionais formados no exterior. Flórida e Texas estão entre os estados que entenderam que, sem abrir essas portas, o sistema de saúde entra em colapso”, afirma Bruno Lossio, especialista em direito imigratório e mobilidade global da SLS Legal, empresa referência em imigração. Para ele, o contexto ajuda a explicar a mudança de postura dos estados.

Na prática, essa novidade já se materializa em legislações estaduais específicas. Na Flórida, o Senate Bill 7016, aprovado em 2025, autoriza médicos formados fora dos EUA a solicitar licença sem repetir toda a residência, desde que comprovem experiência recente, fluência em inglês e formação pós-graduada compatível. O estado enfrenta pressão adicional por ter 21% da população com 65 anos ou mais, segundo o U.S. Census Bureau.

De acordo com relatórios da AMA e da Federation of State Medical Boards (FSMB), pelo menos 18 estados americanos promulgaram leis que criam caminhos alternativos de licenciamento para médicos formados no exterior (IMGs) sem a necessidade de repetir integralmente a residência médica tradicional. São eles: Arkansas, Flórida, Idaho, Illinois, Indiana, Iowa, Louisiana, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Carolina do Norte, Oklahoma, Oregon, Rhode Island, Tennessee, Texas, Virgínia, e Wisconsin.

Essas mudanças, porém, não eliminam as exigências federais de imigração. Segundo Hugo Serri, advogado especialista em imigração da SLS Legal, o ponto central está na combinação entre regras estaduais e status migratório.

“O licenciamento médico é estadual, mas o visto de imigração é federal. O que vemos agora é uma tentativa de alinhar essas duas frentes. Estados facilitam o acesso ao mercado de trabalho, enquanto hospitais e sistemas de saúde passam a patrocinar vistos de médicos estrangeiros para suprir a falta de profissionais. Para o médico brasileiro, isso cria oportunidades, mas exige planejamento jurídico desde o início”, explica o advogado.

Ainda que exista essa abertura, os especialistas alertam que atuar como médico nos EUA continua sendo um processo complexo, que envolve aprovação em exames como o USMLE, validação do diploma pela ECFMG, contratação por instituições de saúde e a escolha correta do visto, como H-1B, J-1 ou categorias de residência permanente.

Para Henrique Scliar, advogado especialista em imigração e mobilidade global da SLS Legal, a oportunidade pode se transformar em prejuízo quando não há orientação adequada.

“Cada decisão, desde o estado onde atuar até o tipo de visto solicitado, impacta diretamente a carreira e a permanência legal. Com planejamento, o médico brasileiro pode construir uma trajetória sólida. Sem isso, o risco financeiro e migratório é alto. Mesmo em um cenário de maior abertura, a imigração qualificada para a área médica exige estratégia, preparo técnico e respaldo jurídico especializado”.

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DEIVIANNE JHASPER BARROS DA CRUZ
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FONTE: Jhasper Comunicação
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