Saúde, educação e desemprego são os principais problemas dos países de língua portuguesa, segundo seus cidadãos

Esse e outros dados estão destacados no Barometro da Lusofonia, mapeamento inédito que revela valores e percepções sobre temas como relevância da democracia, imigração, desigualdade de gênero, fake news e trocas culturais

MAYARA SANTOS
29/01/2026 15h59 - Atualizado há 1 mês

Saúde, educação e desemprego são os principais problemas dos países de língua portuguesa, segundo seus
Imagem de Divulgação - Gráfico Barometro
Janeiro de 2026 – O Barometro da Lusofonia, estudo bienal e inédito lançado oficialmente nesta semana e liderado pelo Ipespe – Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas, traz análise dos principais aspectos da Cultura, Sociedade e Instituições dos países de língua portuguesa. Ele aponta que saúde, educação e desemprego são as áreas com maiores problemas para a população destes países.
“O Barometro revela que as preocupações centrais dos cidadãos da lusofonia estão ligadas à qualidade dos serviços públicos e às condições de inserção econômica. Em um segundo patamar, surgem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico”, aponta Antonio Lavareda, diretor geral do Barometro e presidente do Conselho Científico do Ipespe.



Embora essa lista de principais desafios seja compartilhada, a ordem dos problemas varia consideravelmente entre os países lusófonos. Para os brasileiros, os principais problemas do país são saúde (45%), violência (40%) e educação (35%). Vale observar que, após a chamada megaoperação policial contra facções criminosas, conduzida pelo governo do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha no final de outubro de 2025, o tema da segurança ganhou maior centralidade no debate público nacional. Não é improvável que os 8% registrados no Brasil para política, guerras ou conflitos armados tenham relação com esse tema.

O estudo ainda aponta que 57% da população destes países não está satisfeita com o funcionamento da democracia. Os timorenses e os portugueses são os únicos entre as nações lusófonas cuja maioria declara estar satisfeita – respectivamente 75% e 61%.

Na maior parte dos países analisados, os resultados indicam níveis elevados de participação eleitoral declarada – nem sempre refletidos nos índices de votação de fato. Na média, 63% dos ouvidos afirmam que votam sempre e 13%, que votam na maioria das vezes. Apenas 11% declaram que votam raramente e 9% que nunca votam. O Brasil, único país da Comunidade em que o voto é obrigatório, apresenta o maior nível de participação declarada: 88% afirmam que costumam sempre votar e 5%, que votam na maioria das vezes.

Nas métricas sobre fake news, o Barometro aponta que 64% afirmam já ter recebido notícias falsas. Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram esse ranking, seguidos por Angola (71%), Moçambique (71%) e Guiné-Bissau (67%). A referência às fake news é mais baixa em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (ambos com 49%) e Timor-Leste (40%). Esse resultado, entretanto, pode representar não necessariamente uma menor incidência do problema, e sim maior dificuldade de identificá-lo, por uma série de fatores regionais.
Para essa primeira edição do Barometro, foram realizadas 5.688 entrevistas em uma ampla pesquisa simultânea em países de quatro continentes: África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), América do Sul (Brasil), Ásia (Timor-Leste) e Europa (Portugal).

O objetivo do estudo é o fortalecimento da integração entre os países de língua portuguesa, aprofundando a compreensão sobre percepções, valores e expectativas compartilhadas e destacando o papel estratégico do português – que possui cerca de 300 milhões de falantes, constituindo-se como uma das línguas mais faladas do mundo em número de falantes nativos.

Todos os resultados deram origem a um livro — em versões física e digital — e a um ciclo de seminários no Brasil e demais países, além de uma rica base de dados que está disponibilizada a centenas de instituições de ensino e pesquisa, por meio da AULP, que reúne universidades com cursos de língua portuguesa, de Macau às Américas, para que alunos, professores e pesquisadores produzam dissertações, teses, artigos e publicações.
Informações relevantes sobre a importância do Barometro da Lusofonia
 
  • Crescimento: Projeções indicam que, até 2100, teremos mais de 500 milhões de falantes do português, consolidando-o como uma das grandes línguas globais.
  • Protagonismo: Há interesse geopolítico e cultural crescente em torno da CPLP em temas como meio ambiente, recursos naturais, diversidade cultural e inovação.
  • Produção de dados: Pesquisa e dados científicos são valorizados como base para políticas culturais e sociais.
  • Influência global: A lusofonia está cada vez mais reconhecida como ativo estratégico global, cultural, econômico e diplomático.
O Barometro conta com apoio e participação da Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP), da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão Brasileira junto à CPLP, do CC&P, da Fundação Itaú, da Duplimétrica, da FGV Conhecimento, da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação (Lusocom), do Instituto Camões de Cooperação da Língua, da Universidade Católica da Guiné-Bissau, da Fundação Joaquim Nabuco, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade Federal do Rio Grande Sul, da Universidade Federal de Santa Maria, da Unitau, da Universidade Católica de Pernambuco, da Universidade Autónoma de Lisboa e da Universidade de Coimbra.
Tenha acesso ao estudo no site barometrodalusofonia.com.
 

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MAYARA BITTENCOURT DOS SANTOS
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