PSD aposta em múltiplas pré-candidaturas e redesenha o jogo presidencial
Com Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, Kassab se posiciona para qualquer cenário em 2026
MáRCIO DE ANDRADE PRADO
28/01/2026 12h57 - Atualizado há 1 mês
Foto: Rede Social | Gilberto Kassab
Na
corrida presidencial, a monotonia das opções — ou da opção única — apresentada pelos partidos de esquerda pouco ou nada tem a ver com o dinamismo que começa a se formar no campo da oposição.
Enquanto a falta de renovação de lideranças na esquerda brasileira converge, mais uma vez, para a candidatura de Lula, no espectro da chamada “oposição” — com muitas aspas — brotam tanto lideranças legítimas da direita quanto aquelas fabricadas sob medida, de acordo com o figurino que a peça teatral do momento exige.
Nas candidaturas de oposição, o leitor desta coluna não se surpreende com as movimentações do tabuleiro político, em grande parte já previstas nos artigos anteriormente publicados.
Ainda assim, sempre há espaço para algum encantamento — não pelo sabor do bolo servido nessa grande festividade que é o bastidor da política, mas pelo enfeite cuidadosamente aplicado. Nesse caso, pelo “confeiteiro” profissional chamado Gilberto Kassab.
Os partidos são apenas meios para se chegar ao poder
Antes, cabe destacar: ficou para trás o tempo em que um partido político determinava um projeto de poder, no qual a busca pela cadeira do Executivo era apenas um meio para implementar uma proposta partidária e ideológica.
Hoje, a lógica se inverteu. O partido passou a ser o meio para se chegar ao cargo executivo e, a partir dele, implantar um projeto de poder — pessoal ou de grupo.
O tripé do PSD: Direita, Esquerda e a terceira via de Ratinho
Dito isso, um partido funciona como um grande veículo — talvez um ônibus imaginário — que transporta grupos do ponto A ao ponto B. A cada eleição, esse “ônibus” escolhe a linha que seguirá: direita, esquerda ou terceira via.
No caso do PSD, sob a condução de Gilberto Kassab, o partido passou a operar como um verdadeiro transporte circular da política. Primeiro, com Ratinho Júnior; depois, ao trazer para seus quadros o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; agora, ao incluir no “álbum” mais uma figura carimbada: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Kassab conseguiu inovar o conceito político do “um ovo em cada cesto”.
O PSD passa a ter, simultaneamente, três pré-candidatos à Presidência da República: um associado à direita, outro à esquerda e um terceiro posicionado ao centro do espectro político.
Nos bastidores, contudo, já é dado como certo que Ratinho Júnior será o nome do partido na disputa pelo Palácio do Planalto, enquanto Eduardo Leite e Ronaldo Caiado devem concentrar esforços nas eleições para o Senado em seus respectivos estados, Rio Grande do Sul e Goiás.
Um craque da política
Gilberto Kassab, com três “perfumes” à disposição, consolida-se como um político sempre pronto para qualquer festa e capaz de dialogar em qualquer mesa — exatamente como sempre gostou de fazer.
Como me disse certa vez Valdemar Costa Neto, em uma reunião na sede do PL, em São Paulo: Kassab é um craque.
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