Falar não é repetir palavras: como estimular a linguagem da criança durante as férias

Especialista explica por que repetir sons não garante o desenvolvimento da linguagem e mostra como as interações do dia a dia são fundamentais para o avanço da comunicação infantil

JúLIA BOZZETTO
26/01/2026 21h40 - Atualizado há 1 mês

Falar não é repetir palavras: como estimular a linguagem da criança durante as férias
Divulgação

Durante as férias escolares, a rotina muda, o tempo em família aumenta e, com isso, surgem oportunidades valiosas para estimular o desenvolvimento da linguagem das crianças. No entanto, muitos pais ainda acreditam que ensinar o filho a repetir palavras isoladas, como cores, números ou objetos, é suficiente para garantir que ele “aprenda a falar”. Especialistas alertam: a linguagem vai muito além da repetição.

Segundo a fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer, especialista em atraso de fala, repetir palavras pode até fazer parte do processo, mas não constrói, sozinha, a linguagem. “A linguagem envolve intenção comunicativa, compreensão, troca, vínculo e contexto. Quando a criança apenas repete palavras, sem entender o significado ou sem usá-las para se comunicar, não estamos, de fato, estimulando o desenvolvimento da fala funcional”, explica.

De acordo com a especialista, o que realmente fortalece a linguagem é a interação. Situações simples do cotidiano, como brincar, preparar uma refeição, passear ou contar histórias, são grandes aliadas nesse processo, especialmente durante as férias, quando o tempo juntos é maior e menos acelerado. “Narrar o que está acontecendo, esperar a resposta da criança, fazer perguntas, dar espaço para que ela se expresse do jeito dela e validar suas tentativas de comunicação são atitudes muito mais eficazes do que pedir que ela repita palavras”, orienta Angelika.

Outro ponto importante é respeitar o ritmo individual de cada criança. Comparações com irmãos, primos ou colegas podem gerar ansiedade nos pais e pressionar ainda mais os pequenos. “Cada criança tem seu tempo, mas é essencial observar sinais de alerta, como pouca intenção comunicativa, dificuldade de compreender comandos simples ou ausência de evolução na fala. Nessas situações, buscar a orientação de um fonoaudiólogo faz toda a diferença”, reforça.

Para Angelika, as férias também são um momento estratégico para desacelerar e fortalecer vínculos, fator diretamente ligado ao desenvolvimento da linguagem. “Quando o adulto está presente de verdade, olhando nos olhos, escutando e interagindo, a criança se sente segura para se comunicar. A fala nasce da relação”, conclui.

Mais do que ensinar palavras soltas, estimular a linguagem é construir pontes de comunicação, e elas começam, principalmente, dentro de casa.


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