Comportamento, Poder e Ascensão Política: por que poucos chegam ao topo

Ascensão política não é acaso: postura, visão e comportamento determinam quem chega ao topo

Por MáRCIO DE ANDRADE PRADO
5 Min

Comportamento, Poder e Ascensão Política: por que poucos chegam ao topo
Divulgação - Rede social
O desejo de ascender na carreira é legítimo. Contudo, excetuando-se alguns casos pontuais, a regra geral impõe pré-requisitos claros: comportamento profissional maduro, seguido de qualificação técnica minimamente aceitável para que o objetivo seja, de fato, merecido.
 

Nas carreiras privadas, quando um desses requisitos não está presente, as trajetórias costumam ser curtas — salvo nos casos em que o indivíduo é herdeiro do negócio ou integra o núcleo familiar da empresa.
Já na carreira pública, especialmente na política, a chamada “seleção natural” de quem seguirá para os caminhos legislativo ou executivo revela-se, majoritariamente, pelo comportamento. A qualificação técnica, não raras vezes, fica em segundo plano, uma vez que o principal fiscal desse quesito — o eleitor — costuma ser distante, desinteressado ou pouco atento ao desempenho técnico de seus representantes.
 
O comportamento precede o cargo
 
Há quase três décadas, quando ainda não tinha um olhar atento para a política e atuava na iniciativa privada, lembro-me claramente de uma conversa que tive com um vereador de Rio Grande da Serra, então presidente da Câmara Municipal: Adler Alfredo Jardim Teixeira, o Kiko Teixeira. Na ocasião, ele me perguntou — como provavelmente perguntou a muitas outras pessoas — o que eu achava da possibilidade de ele se candidatar ao cargo de prefeito.
 
Minha resposta, ainda que simples e limitada pela pouca vivência da época, foi direta: apesar de exercer o mandato de vereador, ele já demonstrava comportamento típico de executivo, com pensamento administrativo, visão estratégica e cultura organizacional diferenciada. Algo que o distanciava dos demais vereadores, muitos deles presos a uma mentalidade provinciana, de horizonte curto e pautas fúteis.
 
O resultado é conhecido: Kiko Teixeira foi eleito prefeito duas vezes em Rio Grande da Serra e uma vez em Ribeirão Pires, dando continuidade à sua trajetória na máquina executiva, ocupando cargos de alto escalão em municípios como São Bernardo do Campo e Diadema.
 
O legislativo e a distorção da carreira política
 
Na mesma medida, a carreira legislativa deveria obedecer a critérios semelhantes. No entanto, o que se observa é um Poder Legislativo frequentemente ocupado por políticos provincianos, eleitos com uma visão completamente distorcida do que seja uma carreira pública.
 
Fazendo uma analogia com o setor privado, imagine um funcionário incompetente para a função que, mensalmente, repassa metade do próprio salário ao chefe apenas para manter o emprego. Essa lógica descreve com precisão o vereador assistencialista, que durante os quatro anos de mandato utiliza expedientes populistas para criar a falsa impressão de bons resultados.
 
Quando o cargo revela o próximo passo
 
No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes manifesta claramente a intenção de disputar o Governo do Estado. Seu comportamento já é o de um governador. À frente do Executivo carioca, conduz projetos que extrapolam os limites municipais e reverberam em todo o Estado, como o Desafio Rio, o Rio Cidade Criativa, o evento internacional Todo Mundo no Rio e o projeto Rio AI City, que pretende transformar a capital fluminense em um hub de data centers.
 
Não se trata aqui de julgar se tais projetos são bons ou ruins, tampouco se foram plenamente executados ou entregues à população. O ponto central é outro: o comportamento e o pensamento do gestor já estão alinhados ao cargo que ele pretende ocupar.
 
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outros exemplos, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o próprio governador Tarcísio de Freitas, que, apesar de caminhar para a reeleição, demonstra articulações e visão política de quem já se projeta no cenário nacional, com mentalidade presidencial.
 
Onde se quer chegar determina como se deve agir
 
Independentemente da posição atual, o comportamento profissional precisa ser compatível com o lugar onde se deseja chegar. Isso exige, muitas vezes, abrir mão do conforto de amizades que não compartilham o mesmo horizonte, não falam o mesmo idioma mental e não transitam pelo mesmo ambiente futuro da conquista almejada.
 
Na política — assim como na vida — cargos não transformam pessoas. Apenas revelam quem elas sempre foram.

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MARCIO DE ANDRADE PRADO
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