Fisioterapia pélvica é para quem? Especialista esclarece idade ideal, indicações e riscos de práticas sem orientação

Do início da vida reprodutiva ao climatério, entenda quando iniciar o cuidado e os erros mais comuns no treino do assoalho pélvico

Por Bendita Letra
5 Min

Fisioterapia pélvica é para quem? Especialista esclarece idade ideal, indicações e riscos de práticas sem
Arquivo Pessoal/Divulgação

A Fisioterapia Pélvica, muitas vezes associada apenas ao pós-parto ou à terceira idade, é um recurso essencial para a saúde e o bem-estar da mulher em todas as fases da vida, do início da vida reprodutiva ao climatério. A especialidade atua na prevenção, tratamento e reabilitação de disfunções do assoalho pélvico, desmistificando a ideia de que o cuidado é exclusivo para quadros de incontinência urinária. No entanto, a falta de informação ainda leva muitas mulheres a práticas arriscadas, como exercícios pélvicos mal orientados.

A fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira esclarece que a idade ideal para iniciar o cuidado pélvico é quando surgem as primeiras necessidades e, principalmente, em fases de grandes mudanças hormonais e corporais.

"A Fisioterapia Pélvica não tem idade mínima ou máxima para começar, mas tem indicações estratégicas. A partir do momento em que a mulher inicia sua vida sexual, passa pela gestação e chega à menopausa, o cuidado pélvico se torna fundamental. O ideal é que a prevenção comece cedo, antes que a disfunção se instale. O cuidado com o assoalho pélvico é tão importante quanto o cuidado com qualquer outro grupo muscular do corpo", afirma.

A especialista lista as principais indicações do acompanhamento pélvico, mostrando a amplitude da atuação da área:

Início da vida reprodutiva (adolescência e jovem adulta):

Indicação: Prevenção, educação postural e conscientização corporal. É o momento ideal para aprender a fazer o uso correto da musculatura pélvica, o que previne problemas futuros.

Quadros Comuns: Dificuldade em usar absorventes internos, dor na primeira relação sexual.

Gestação e Pós-Parto:

Indicação: Preparação para o parto (funcionalidade e flexibilidade), prevenção de incontinência urinária e fecal, e reabilitação após o parto para recuperação da função pélvica.

Climatério e Menopausa:

Indicação: Tratamento de incontinência urinária, prolapsos (queda de órgãos pélvicos) e ressecamento e dor durante a relação sexual (dispareunia), frequentemente associados à diminuição hormonal.

Outras Condições: Dor pélvica crônica, endometriose, constipação crônica, reabilitação após cirurgias ginecológicas ou urológicas.

A importância da orientação profissional

Flaviana alerta que, impulsionadas pela busca por uma melhora na performance sexual ou por soluções rápidas, muitas mulheres recorrem a práticas sem a devida orientação profissional, o que pode ser perigoso. "O erro mais comum é a utilização de dispositivos internos, como os cones ou pesos vaginais, ou a prática de pompoarismo, sem uma avaliação prévia. Fazer exercícios pélvicos de forma errada pode gerar uma hiperatividade, ou seja, um excesso de tensão muscular. Em vez de fortalecer, isso pode levar a mais dor, tensão e até mesmo piorar quadros de dor sexual," alerta.

Além disso, ela  enfatiza que o treino do assoalho pélvico é individualizado e deve ser prescrito apenas após uma avaliação detalhada da força, resistência e coordenação dos músculos, feita por um profissional qualificado.

"A musculatura pélvica é complexa. O primeiro passo nunca é 'fazer a força', mas sim 'entender a força'. É crucial buscar um Fisioterapeuta Pélvico para um diagnóstico funcional correto. O que é bom para uma, pode ser prejudicial para outra. O risco de fazer por conta própria é o de trocar um problema por outro: sair da fraqueza para a rigidez dolorosa," conclui.

Acompanhe o trabalho da Dra. Flaviana Teixeira nas redes sociais: @flavianateixeirafisio | flavianafisiopelvica.com.br

 

 


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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FONTE: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
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