A decisão de Holanda, Espanha, Irlanda e Eslovênia de abandonar a edição 2026 do Eurovision após a confirmação da participação de Israel reacendeu o debate sobre politização de eventos culturais na Europa. Para o Major da reserva Rafael Rozenszajn, porta-voz da reserva das Forças de Defesa de Israel (IDF) para países de língua portuguesa, trata-se de um movimento incoerente que ignora padrões adotados por esses mesmos países em outros ambientes internacionais.
“Esses quatro países são democracias consolidadas, membros da União Europeia e conhecidos por sua forte atuação cultural”, aponta Rozenszajn. “Mas, curiosamente, decidiram boicotar o maior festival musical da Europa apenas porque Israel — a única democracia do Oriente Médio — participará da competição.”
O boicote ocorre após pressões de grupos anti-Israel que vêm tentando, há anos, excluir o país do Eurovision. Em 2024, a cantora Eden Golan foi vaiada durante sua apresentação, em violação às regras oficiais do festival. Em 2025, o caso ganhou ainda mais repercussão quando a representante israelense Yuval Refael, sobrevivente do massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023, conquistou o segundo lugar e venceu a votação popular da competição realizada na Suíça. A exposição renovou os esforços de grupos militantes para excluir Israel e provocou divisões políticas dentro da Europa.
Segundo o Major, a reação de alguns governos revela um padrão. “É aqui que a hipocrisia se torna evidente”, afirma. “Os mesmos países que se recusam a participar de um festival musical porque Israel está presente não hesitam em ir à Copa do Mundo, onde jogarão ao lado de regimes autoritários como Irã e Catar. Não vemos pedidos de boicote nesses casos.”
Rozenszajn também destaca que não há protestos semelhantes contra a participação da seleção palestina em competições internacionais, apesar de membros da equipe terem declarado publicamente apoio a ataques contra Israel em anos anteriores. “Quando regimes teocráticos, ditaduras brutais ou governos que perseguem minorias participam de eventos globais, esses países fazem silêncio. Não há indignação moral”, observa.
Para o porta-voz, o episódio ultrapassa a esfera cultural. “O problema aqui não é música, cultura ou segurança. É hipocrisia política travestida de virtude moral. Quando o alvo é Israel, a consciência ética de alguns governos desperta repentinamente”, afirma.
A diplomacia israelense, no entanto, conseguiu impedir que a delegação fosse excluída do festival. Apoios estratégicos — especialmente o da Alemanha, país fundador do Eurovision — desempenharam papel central na decisão final da organização.
“Israel envia ao palco artistas, não soldados. É uma sociedade plural e vibrante, que participa do Eurovision como qualquer outra democracia”, diz Rozenszajn. Ele reforça que acusações de politização têm sido usadas seletivamente para isolar Israel na arena cultural, mesmo enquanto outros países, muitos deles envolvidos em violações graves de direitos humanos, seguem tratando festivais e eventos esportivos como espaços neutros.
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FERNANDA CRISTINA RIBEIRO
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