São Paulo, novembro de 2025 – Pela primeira vez no Brasil, um estudo científico detalha casos de homens trans que se tornaram pais biológicos por meio da fertilização in vitro (FIV). Publicada com a participação da equipe multidisciplinar da Huntington Medicina Reprodutiva, a pesquisa acompanhou três pacientes (32, 35 e 38 anos) que interromperam temporariamente o uso de testosterona para realizar estimulação ovariana e transferir embriões para parceiras cisgênero.
A FIV é uma técnica de reprodução assistida na qual os óvulos são coletados e fecundados em laboratório, formando embriões que, posteriormente, são transferidos para o útero. Mais de 13 milhões de bebês nasceram por fertilização in vitro em todo o mundo, segundo estudo do Comitê Internacional de Monitoramento de Tecnologias de Reprodução Assistida (ICMART). No caso dos homens trans, o protocolo foi adaptado para garantir segurança clínica e considerar aspectos físicos e emocionais da suspensão hormonal.
Resultados encorajadores
Os desfechos do estudo mostraram que, mesmo após anos de terapia com testosterona, é possível obter óvulos maduros e blastocistos de alta qualidade. Entre os três casos acompanhados, houve um nascimento saudável, um aborto espontâneo e uma gestação em evolução (dados atualizados após publicação do artigo original). Em todos, a suspensão da testosterona permitiu a retomada do ciclo menstrual e a resposta ovariana necessária para o tratamento, confirmando que a gestação a partir de gametas de homens trans é viável.
Desafios e recomendações
Para a médica especialista em reprodução assistida Dra. Laura Maia, uma das profissionais que assina o artigo, o estudo representa um avanço científico e social. “Fertilidade é um tema humano, não de gênero. Esta pesquisa mostra que a medicina reprodutiva pode, e deve, ser inclusiva, oferecendo soluções para que homens trans possam exercer seu direito à parentalidade com segurança e respeito”, afirma.
Além dos dados clínicos, a pesquisa destaca desafios importantes, como o impacto psicológico da suspensão hormonal e a necessidade de orientação médica antes do início da terapia com testosterona. Muitos jovens trans começam o tratamento hormonal ou realizam cirurgias de afirmação de gênero sem receber a informação de que essas decisões podem impactar a fertilidade futura. A preservação de óvulos ou embriões antes dessas etapas é apontada como medida essencial para garantir autonomia reprodutiva no futuro.
O estudo reforça que os avanços da reprodução assistida possibilitam novas configurações familiares e que, com acompanhamento adequado, homens trans têm chances reais de contribuir biologicamente para a formação de uma família. “Por trás de cada técnica, há uma pessoa com um sonho e a nossa missão é torná-lo possível”, conclui Dra. Laura.
Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva
A Huntington atua há 30 anos como especialista em medicina reprodutiva, sendo nacionalmente reconhecida pela excelência médica, pioneirismo e inovação para ofertar aos pacientes tratamentos com critérios internacionais de qualidade.
Os procedimentos são para tratamento de infertilidade masculina, feminina e do casal divididos em aconselhamento genético, coito programado, congelamento de óvulos, doação de gametas, tratamento de endometriose, espermograma, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, oncofertilidade, tecnologia time-lapse e procedimentos para casais homoafetivos.
Atualmente, a Huntington faz parte do Grupo Eugin, referência mundial em reprodução assistida. São mais de 1500 profissionais e 30 clínicas ao redor do mundo, em 9 países.
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MARIA FERNANDA ESPINOSA DOMINGOS
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